Nº 291 - ANO 21 - DEZEMBRO DE 2007
 
EDITORIAL
 
Os produtores rurais gaúchos podem comemorar mais uma vitória. A recente reunião da Comissão de Assuntos Fundiários da Comissão de Agricultura e Pecuária da (CNA), realizada na Farsul, referendou a forma de atuação dos gaúchos frente às invasões de propriedades como exemplo nacional.

A união dos produtores gaúchos na defesa da propriedade rural passa a ser parâmetro nacional de resistência e enfrentamento. Atualmente, o Rio Grande do Sul não tem uma propriedade rural invadida e isto é fruto do envolvimento dos agropecuaristas que, incansavelmente, vêm lutando para manter suas raízes, diferentemente do que acontece em outros estados brasileiros. Temos famílias que, há mais de 300 anos, estão fixadas à terra. São gerações envolvidas com as lides do campo. Produzir é mais do que profissão, é vocação, é existência. E foi por isso que os produtores rurais uniram-se. Para poder seguir produzindo e trabalhando no campo, convivendo com respeito a tudo anteriormente construído.

A luta em defesa do direito de propriedade solidificou-se a cada invasão feita pelos que se dizem trabalhadores sem-terra, que demonstraram à sociedade a forma bruta e cruel com que tratam as pessoas, os animais, a natureza e, principalmente, o desrespeitos aos bens de outrem. As barbáries enfrentadas pelos invadidos transformaram a revolta em combustível para defender o pedaço de campo que há muito é dividido dentro das famílias, reforçando a reforma agrária natural, feita por meio dos casamentos e das heranças.

É certo e deve ser reconhecido que este momento é propiciado pela presença e envolvimento das autoridades no enfrentamento do problema. O governo estadual tem sido firme nas decisões de fazer cumprir a lei. A Brigada Militar esteve presente sempre com a autoridade que lhe é conferida, evitando confrontos, impedindo atos de vandalismo e de guerrilha, identificando os invasores, fazendo valer as decisões judiciais, que valem para todos os cidadãos, menos para os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O envolvimento da Ouvidoria de Segurança veio demonstrar que o governo tem ouvidos também para os produtores rurais, que, até então, vinham sem ter com quem falar.

Mas o ponto de grande importância foi a brava resistência dos produtores rurais que, com firmeza e fidalguia, foram pacientes, mostraram às autoridades e à opinião pública que têm o que perder e, por isso, lutaram. Como diz a letra de nosso hino: “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra”.
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