Nº 291 - ANO 21 - DEZEMBRO DE 2007
 
Grupo de trabalho analisa “aluguel” de reservas legais
 
O grupo de trabalho formado pela Farsul, Ufrgs, Fepam e Ibama analisará a criação de mecanismos que permitam aos pecuaristas receber uma espécie de aluguel pelas áreas de reserva legal do Pampa gaúcho. O vice-presidente da Farsul Fernando Adauto comentou que a idéia é criar um mercado semelhante ao já existente de créditos de carbono. A idéia nasceu durante o 1º Encontro de Criadores de Gado em Pastagens Naturais do Pampa do Cone Sul, realizado entre os dias 8 e 10 de novembro, em Bagé.
“Não adianta querer fazer reserva legal onde não existe mais ambiente natural. Um pecuarista de Passo Fundo, por exemplo, que tenha toda a sua área lavrada, poderia pagar um crédito pelas terras no Pampa”, disse Adauto. Ele acrescentou que o aluguel pode representar uma alternativa de renda para o pecuarista. Além disso, será analisada a possibilidade de isenção de Imposto Territorial Rural sobre as áreas. Outra idéia que será analisada é que todas as áreas de pecuária em campo nativo possam utilizar o logotipo da Alianza del Pastizal, como forma de diferenciá-las e agregar valor ao produto do Bioma Pampa. “Além de valorizar a pecuária, estaríamos criando uma forma de o produtor agregar valor e conservar o ecossistema.”
O objetivo do encontro era discutir formas de melhorar o desempenho da pecuária e garantir a conservação do Bioma Pampa. O evento foi promovido pelo Sindicato Rural de Bagé, Alianzas del Pastizal, e Associação dos Produtores de Carne do Pampa, com o financiamento do Forest Department, vinculado ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Para Adauto, a participação de mais de 40 estrangeiros no encontro evidenciou que existe o interesse internacional em conservar o ecossistema do Pampa. Os participantes eram técnicos, biólogos, produtores e jornalistas da Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil.
A decisão de promover o encontro nasceu da necessidade de debater o conceito de reserva legal para as propriedades voltadas à pecuária de corte. “Os representantes da Fepam e do Ibama que participaram do encontro concordaram que as propriedades que conservam o meio ambiente e que desenvolvem a pecuária sustentável devem ser consideradas reservas legais.”
Ao término do encontro, os participantes elaboraram uma carta de conclusões (leia ao lado, na coluna Tropeando). O documento foi assinado pela Apropampa, Sindicato Rural de Bagé, Asociación Civil Sociedade Rural de General Lavalle (Argentina), Aves Argentinas, Aves Uruguai, BirdLife International, Embrapa, Fepagro, Fundación Reserva del Iberá (Argentina), Fundación Vida Silvestre (Argentina), Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Guyra Paraguai, Projeto RS Biodiversidade, Save Brasil, Sindicato Rural de Lavras do Sul, Sociedad Agropecuaria de Rocha (Uruguai) e Ufrgs.
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