Nº 291 - ANO 21 - DEZEMBRO DE 2007
 
Feiras de terneiros terão novas regras em 2008
 
A Secretaria da Agricultura (Seapa) está com uma portaria pronta para publicação que preve novo regramento para a exposição de animais em feiras de terneiros. As normas foram definidas pela Comissão de Bovinocultura de Corte da Farsul e pelo Departamento de Produção Animal (DPA). A próxima feira de terneiros do calendário acontece em maio de 2008.
As mudanças têm por objetivo estimular a padronização, a rastreabilidade e a sanidade do rebanho. De acordo com o coordenador da Comissão de Bovinocultura de Corte da Farsul, Carlos Simm, uma das principais alterações será a ordem de ingresso dos animais em pista. Primeiro, entrarão os castrados e rastreados; depois, os inteiros e rastreados; seguidos dos castrados e não rastreados e os inteiros e não rastreados. Por último, entram os exemplares que têm abaixo de 150 quilos.
Para abranger um número maior de ofertantes, o peso mínimo dos terneiros enquadrados nas quatro primeiras opções também mudará. O macho poderá ter, no mínimo, 150 quilos, diferentemente dos 160 quilos exigidos até agora, e a fêmea, pesar 140 quilos, ante os 150 quilos exigidos atualmente. “Não queremos excluir pecuaristas do sistema de comercialização, mas valorizar os que têm animais castrados e rastreados”, argumentou Simm, lembrando que todo gado inteiro terá que apresentar atestado de saúde de tuberculose e brucelose.
Nas feiras de novilhas, a diferença ficará por conta da classificação. As fêmeas que, até agora, eram consideradas como de dois dentes passarão a ser identificadas entre um e dois anos. E aquelas classificadas como de quatro dentes serão enquadradas na categoria entre dois e três anos, e obrigatoriamente, terão que estar prenhes. A idéia é que as regras sejam estendidas para todas as feiras e remates realizados no Estado. “Vamos adotar novos critérios, mas daremos tempo para o criador se adequar a eles”, ressalvou Simm. Os sindicatos rurais vão dispor de autonomia para tornar as regras mais rígidas nos seus municípios. Para facilitar a aplicação dos novos conceitos, a Farsul propõe que todas as feiras de outono proporcionem acesso ao crédito. Ainda há possibilidade de se criar um fundo para auxiliar no custeio da rastreabilidade e qualificação de rebanhos.
Vacina
Técnicos da Secretaria da Agricultura (Seapa) iniciam, no dia 3 de dezembro, a coleta de amostras de soro sangüíneo do rebanho bovino para avaliar a eficiência da vacinação contra a febre aftosa. O trabalho será realizado em cem das 250 mil propriedades gaúchas onde há criação de gado. O número de exames por propriedade será variável, de acordo com a proporção de animais e com a distribuição geográfica.
O procedimento se estenderá por dez dias e será realizado por 30 funcionários da Seapa. As amostras deverão ser analisadas pelos profissionais do Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais.
A avaliação deve ser feita uma vez por ano para verificar se o resultado da sorologia corrobora o percentual de animais protegidos na vacinação. Na campanha realizada em janeiro deste ano, foi imunizado 93,7% do rebanho gaúcho. Caso a sorologia aponte um percentual muito diferente, isso pode significar que os criadores não estão aplicando a vacina ou que há problemas na armazenagem do medicamento.
O coordenador da Comissão de Bovinocultura de Corte da Farsul, Carlos Simm, comentou que a contraprova era uma reivindicação do setor. O dirigente acrescentou que, para 2008, a federação planeja colocar em prática um projeto de sanidade para o Rio Grande do Sul. “Não estamos satisfeitos com esse percentual de 92%, 93%. Queremos 100%.”
GTA
O Ministério da Agricultura instituiu prazo de 60 dias para que todos os estados habilitados a exportar para o mercado europeu (GO, ES, SC, RS e áreas do MT e de MG) adotem a Guia de Trânsito Animal (GTA) eletrônica. A medida consta de circular do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) e é resultado das sugestões da comitiva européia que visitou o país. Segundo a circular, as GTAs de animais enviados aos frigoríficos devem estar acompanhadas pelo número individual dos animais no Sisbov.
A circular divulgada pelo Mapa ainda apontou que os frigoríficos credenciados a exportar carne bovina in natura para a UE somente poderão abater animais procedentes da área habilitada pelo bloco que tenham permanecido pelo menos 90 dias na área habilitada e 40 dias na última propriedade. Isso significa que a propriedade que receber animais de áreas não-habilitadas não poderá encaminhar nenhum para abate nos 90 dias seguintes. Segundo o Mapa, a mudança não traz impacto ao RS.
A exigência traz problemas ao Rio Grande do Sul, que tem apenas 44 Inspetorias Veterinárias e Zootécnicas (IVZs) equipadas para adotar o sistema online. Carlos Simm considerou difícil que se tenha GTA eletrônica disponível dentro de 60 dias.
Preço
Depois da baixa registrada em setembro e outubro, o preço médio do boi gordo no Estado apresentou reação em novembro. A perspectiva é que a cotação mantenha-se em elevação, principalmente pelo encerramento da temporada de venda de gado para abate. Conforme a Emater, o preço médio do boi gordo chegou a R$ 2,28 o quilo vivo.
Simm classificou o comportamento do preço de previsível e sazonal. Ele explicou que as variações estão relacionadas à elevação e à redução da oferta. “Nesses meses de setembro, outubro e até meados de novembro, há oferta maior de gado porque os animais são retirados das pastagens para abrir espaço para a lavoura de verão.” O dirigente acredita que os preços podem voltar aos patamares de junho e julho, quando o quilo vivo chegou a ser negociado a R$ 2,60.
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