Nº 291 - ANO 21 - DEZEMBRO DE 2007
 
Orizicultores iniciam tratativas para comercialização da safra
 
Foto: Arquivo  
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Schardong acredita que medidas serão anunciadas antes da colheita
Farsul, Federarroz e Irga criaram um grupo de trabalho para determinar o custo de produção da lavoura orizícola no Rio Grande do Sul e fazer um cálculo dos prejuízos do Mercosul para os produtores de arroz. A intenção é demonstrar ao Ministério da Agricultura (Mapa) que os agricultores precisam de uma bonificação, já que a margem de lucro é pequena. O problema de mercado é que os preços são regulados pela concorrência com o produto argentino e uruguaio, onde o custo de produção é inferior ao do Brasil. O levantamento deve ser entregue ao Mapa no início de dezembro.
O presidente da Comissão de Arroz da Farsul e da Câmara Setorial Nacional do Arroz, Francisco Lineu Schardong, explicou que o início das tratativas com o Mapa tem por objetivo garantir que os mecanismos de comercialização da safra sejam anunciados antes da abertura da colheita, em março. “Queremos reunir as forças para ter alguma coisa para a abertura da safra, como foi no ano passado”, comentou. Com isso, haverá tempo para avaliar a ferramenta que mais beneficie o produtor. Além disso, o estudo deve demonstrar a necessidade de trabalhar com o custo de produção, e não com o preço mínimo, de R$ 25,00.
Representantes do governo federal, segundo Schardong, teriam ventilado a disponibilidade de R$ 500 milhões que seriam aplicados em mecanismos para a comercialização da safra. Um dos mecanismos que deve ser solicitado é o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro). No início de novembro, os orizicultores encaminharam ao governo federal uma solicitação para cancelamento do leilão de Valor de Escoamento de Produto (VEP). Conforme Schardong, os prazos impostos pelo governo na operação inviabilizaram a exportação do grão, que era o objetivo da cadeia.
Mercado
O preço do arroz no Rio Grande do Sul voltou a cair e, pela primeira vez em três meses, a cotação do produto está abaixo de R$ 22. Conforme o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o valor foi cotado a R$ 21,89 na penúltima semana de novembro. A queda chegou a 3% no mês e o preço praticado está 10% abaixo do valor no mesmo período do ano passado. Para os analistas de mercado do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a indústria tem com pouco interesse de compra, alegando dificuldades de negociação com o varejo. Os negócios, segundo os analistas, são realizados em pequenas quantidades, evidenciando um comportamento cauteloso por parte dos operadores diante das incertezas do mercado. Além disso, os produtores precisam cumprir os compromissos assumidos e, assim, comercializam o produto para saldar dívidas.
Lavoura
Os arrozeiros gaúchos encerraram o plantio nos últimos dias de novembro. De acordo com o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o plantio foi prejudicado pelas chuvas de outubro em algumas regiões. Houve recuperação no final de novembro, revertendo o atraso. A intenção de plantio foi revisada neste levantamento, com um acréscimo de 6 mil hectares. A área plantada deve chegar a 1.044.763,00 hectares.
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