Nº 291 - ANO 21 - DEZEMBRO DE 2007
 
Pasto
 
Getúlio Marcantonio*

Pasto do meu campo; pasto de todos os campos. Relva crioula companheira inseparável de todas as campereadas. Ninho dos quero-queros, das perdizes, das emas; imagem viva da natureza que em ti se renova. Paisagem bucólica; ornamento das estâncias que se estende pela coberta esmeraldina na moldura do azul celeste de um horizonte sem fim.
Os jesuítas e os colonizadores, ao adentrarem a fronteira e pisarem o novo chão, receberam de ti a primeira oferta da hospitalidade gaúcha. Alimento transformado no alicerce por onde iniciou a nossa economia; palanque que ergueu os varais da indústria que começava. O boi, a tua procura, puxou a colonização pelo Sul. Morador das taperas; tapete vivo da natureza. Essência verde que se transforma no vermelho da carne – o mais disputado prato em todas as mesas e no branco do leite – o alimento completo.
Pasto – tu és o filtro maior na purificação do ar que respiramos. Ainda assim, te castigamos na impiedade do pisoteio, mas tu ressurges forte e vigoroso e segues pela estrada sem fim do destino fecundo que o Criador te confiou. Se a enxurrada arranca tuas raízes, começam as vossorocas, o solo perde sua utilidade social e a terra escorre rápida para o assoreamento indesejável dos rios e represas. Mas se a água te falta e já não tens força para cobrir a superfície, surge a esterilidade do deserto, onde não há frutos e a vida não existe. Protetor dos aclives à margem das vias públicas por onde a vida e as riquezas passam.
Pasto – enfeite colorido e cativante de todos os jardins. Tapete plano onde a bola rola no esporte das multidões. Sem tu, como seria a vida? Pasto que veste de verde os quadrantes do Rio Grande; protege a riqueza de nossas tradições e simboliza novas esperanças de progresso e bem-estar de nossa gente.
* Presidente da Federacite
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