Nº 252 - ANO 18 - SETEMBRO DE 2004
 
Ovinocultores visitam Austrália e Nova Zelândia
 
Um grupo de 12 ovinocultores gaúchos e um uruguaio participou da excursão técnica à Austrália e Nova Zelândia – que têm, juntas, o maior rebanho mundial, com cerca de 160 milhões de cabeças (o rebanho gaúcho é de 4,3 milhões). Eles foram à exposição de ovinos de Bendigo, uma das mais importantes do mundo, e visitaram 31 cabanhas, envolvendo criação de raças tipo lã e tipo carne. Para o presidente da Comissão de Ovinos da Farsul, Glênio Prudente, que participou da viagem, muitos exemplos conhecidos na Oceania poderão ser seguidos pelos criadores gaúchos. A ovinocultura riograndense ainda engatinha, se comparada com a desenvolvida por lá. Enquanto, por exemplo, a média de produtividade de cordeiros na Austrália é de 150%, aqui, esta taxa é de 55%.
Uma das propriedades visitadas, a Blackdale Stud, por exemplo, obtém uma produtividade recorde na criação de das raças Coopworth – cruza de Border Leicester com Romney Marsh – e Texel. A média de assinalação é de 180% e 200%, respectivamente. É que as ovelhas dão normalmente dois ou três cordeiros por cria. As técnicas de confinamento também permitem que a propriedade mantenha, em 325 hectares, 3 mil ovelhas de cria, mil borregos e 550 carneiros.
Para alegria dos criadores de raças laneiras, a excursão também passou pela Cabanha Hui Hui, berço da raça Corriedale, e pela Horsham, propriedade dedicada exclusivamente à produção de lãs finas. “É uma verdadeira fábrica de lãs de alta qualidade”, explica Prudente. O produto é retirado de 950 capões Merino Australiano, selecionados pela fineza de sua lã. Os animais ficam até oito anos – enquanto a lã continua afinando - confinados em baias de pouco mais de 2 metros quadrados. “A cada esquila, estes animais produzem uma lã cada vez mais fina, vendida a preços muito altos para a indústria de tecidos finos da Europa”, relata o presidente da Comissão de Ovinos da Farsul. Um dos capões produziu um velo de 10,2 por 1,6 mícron, cuja lã foi vendida por U$ 1 mil o quilo.
Outra curiosidade conhecida pelos ovinocultores é a criação de veados, desenvolvida paralelamente à de ovinos em uma das propriedades. O principal produto deste animal é o chifre. “As melhores ´galhadas´ de chifres são vendidas para a China e servem de ingredientes de Ginseng. E os reprodutores são vendidos para a Europa a um preço médio de U$ 80 mil”, afirma Prudente.
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