Nº 293 - ANO 22 - FEVEREIRO DE 2008
 
EDITORIAL
 
O ano de 2008 começou com uma seqüência de acontecimentos no setor rural. Se, nas lavouras, se intensificaram os trabalhos de colheita do milho e de monitoramento da soja, nos campos, a atenção esteve voltada para a vacinação do rebanho contra a febre aftosa. A campanha deve, pelo menos, igualar o percentual do ano passado, de 94%. Em meados de janeiro, quando a média histórica apontava para imunização de 40% do rebanho, o Rio Grande do Sul já contabilizava mais de 50% dos animais vacinados.

A necessidade de um trabalho sério na defesa sanitária animal foi reafirmada com o embargo imposto pela União Européia (UE) à carne bovina in natura brasileira. Mesmo sem problemas no sistema, os europeus decidiram suspender os embarques. Apesar de o bloqueio ser por razões comerciais, e não técnicas, a medida demonstra que é necessário manter e, preferencialmente, reforçar a ação.

Depois de um longo janeiro de poucas chuvas, os últimos dias do mês brindaram os agricultores com a ocorrência de precipitação, que amenizou o quadro de estiagem. Apesar de terem sido registradas perdas na lavoura do milho, estas estão concentradas em algumas regiões. Na soja, a preocupação agora é com a ferrugem asiática. A previsão é de produção cheia.

No campo político, a movimentação é contínua. O deputado Alceu Moreira foi empossado, no dia 31 de janeiro, na presidência da Assembléia Legislativa. Antes disso, esteve na Farsul, onde apresentou o plano de gestão da Casa. Outra visitante ilustre foi a senadora Kátia Abreu, que palestrou sobre o direito de propriedade e a derrubada da CPMF. Mas a articulação política não se limita às paredes da sede da Farsul. Foram inúmeras reuniões no interior, em Porto Alegre e em Brasília.

Com a volta dos embarques da Argentina, os problemas da cadeia do trigo devem ser amenizados. Isso não quer dizer que não existam pendências. Mas prosseguem as negociações entre os fumicultores e as empresas sobre o reajuste na tabela de preços. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou somente a prorrogação das dívidas relativas às operações dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte, Nordeste e Centro Oeste e do Funcafé, que envolvem securitização I e II e os programas Especial de Saneamento de Ativos (Pesa) e de Revitalização de Cooperativas de Produção (Recoop). Ainda ficou pendente a prorrogação das dívidas de investimento de 2007, às quais estavam somadas as parcelas de 2004, 2005 e 2006. Nem tudo pode ser resolvido em um só mês e o trabalho prossegue em fevereiro.
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