Nº 293 - ANO 22 - FEVEREIRO DE 2008
 
União Européia embarga carne brasileira
 
A partir de 1º de fevereiro, o Brasil não pode mais exportar carne bovina in natura para a União Européia (UE). A medida vale por tempo indeterminado. A decisão foi tomada depois que o Brasil entregou uma lista de 2.681 propriedades aptas a exportar para o bloco. A UE havia solicitado uma relação de 300 estabelecimentos em dezembro de 2007, quando técnicos inspecionaram o sistema de defesa animal e criatórios brasileiros. “A decisão européia é injustificável e arbitrária”, informou nota oficial do Ministério da Agricultura (Mapa). As autoridades européias não gostaram da resposta brasileira, em função de a lista conter muito mais do que as 300 fazendas solicitadas e porque cada estado fez uma lista separada.
Os embarques ficam suspensos, pelo menos, até a conclusão do relatório de uma missão veterinária da UE que chegará ao Brasil em 25 de fevereiro. O Mapa resolveu que, até o dia 15 de fevereiro, enviará à Comissão Européia os relatórios das auditorias realizadas nas propriedades. A decisão foi tomada durante encontro do secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Inácio Kroetz, com representantes de produtores, do serviço de sanidade dos estados e com exportadores. O encontro avaliou as críticas da comissária de Agricultura da UE, Mariann Fischer Boel, à lista de propriedades credenciadas pelo governo brasileiro. Após a reunião, integrantes do setor afirmaram que a pressão dos irlandeses também pesou na decisão de embargo. A Irlanda é o país que mais sofre com a concorrência da carne brasileira. Em 2007, o país exportou 2,53 milhões de toneladas para todos os destinos, faturando 4,42 bilhões de dólares.
Para o presidente do Sistema Farsul, Carlos Sperotto, a medida demonstra que as autoridades européias desconhecem a realidade do rebanho brasileiro. Além disso, ele concorda que não é trabalho do Mapa escolher, de uma relação de 2,6 mil propriedades, somente 300 para se habilitarem à exportação. O dirigente destacou que a medida trará grande prejuízo, mas aguarda a ação do governo federal. “Vamos aguardar o desenrolar das coisas. Apostamos na ação dos ministérios da Agricultura e Relações Exteriores para desfazer essas posições. A Europa é fundamental para as exportações brasileiras e vamos analisar as posições e tentar reverte-las”, comentou.
Para atender às exigências da Comissão Européia, o Mapa solicitou aos estados que fizessem auditorias nas propriedades registradas como Estabelecimento Rural Aprovado pelo Sisbov (Eras) e encaminhassem a listagem a Brasília. As exigências, segundo a UE, têm por objetivo igualar as normas àquelas impostas aos criadores europeus.
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