Nº 293 - ANO 22 - FEVEREIRO DE 2008
 
Área de lavoura cresceu 83,5% em dez anos
 
Os resultados preliminares do Censo Agropecuário de 2006 mostram que a área de lavouras no País aumentou 83,5% em relação à pesquisa de 1996, enquanto a de pastagens reduziu-se em aproximadamente 3%. Na Região Norte, foi verificado o maior aumento relativo na área de lavoura, de 275,6%. Os menores incrementos foram observados no Sudeste (50%) e no Sul (48,8%), regiões de ocupação mais consolidada.
O censo aponta, também, substituição das áreas de pastagem por lavouras, na década de 1996 a 2006, em razão da progressiva inserção do Brasil no mercado mundial de produção de grãos (especialmente a soja) e da intensificação da pecuária. Os outros grandes números indicam aumento de 7,1% no número de estabelecimentos agropecuários, redução de 8,5% do pessoal ocupado e aumento dos principais rebanhos: bovinos (11%), suínos (14,9%) e aves (73,2%). A divulgação dos resultados definitivos está prevista para outubro de 2008.
O censo verificou crescimento da participação relativa da área de lavoura em relação às áreas de pastagem e florestas. Em 1970, a relação era de 4,5; em 1995, 4,2; e passou para 2,2 em 2006. Vale destacar que, embora os resultados sejam preliminares, a alteração de patamar na relação entre área de lavouras e área de pastagens é muito significativa e representa uma grande mudança na utilização das terras do país.
Outra informação relevante é a interiorização e intensificação da pecuária bovina. O Censo Agropecuário 2006 verificou a ocupação de novas áreas no Leste do Pará, em praticamente todo o estado de Rondônia e no Noroeste do Maranhão. Outra área de aumento de ocupação por bovinos é a faixa ao longo do Rio Amazonas e alguns afluentes importantes, desde o Norte do Pará, seguindo em direção ao Norte do Acre.
Nas áreas onde já havia desenvolvimento da pecuária, sobretudo, nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, do Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, o Censo Agropecuário indica a intensificação da atividade. De modo geral, no Centro-Sul do País, o percentual das áreas de pastagem em relação às terras do estabelecimento diminuiu, o que está relacionado ao avanço das lavouras. Em relação aos últimos censos, o ritmo de crescimento da produção de leite caiu de 39,6%, de 1985 para 1996, e 19,5%, de 1996 para 2006.
Mão-de-obra familiar
Os dados preliminares sobre o pessoal ocupado nos estabelecimentos agropecuários no final de 2006, em relação ao censo de 1995/1996, mostram redução de 8,5%, caindo de 17,9 milhões para 16,4 milhões de pessoas. Nesse período, subiu de 75,9% para 78% a participação relativa dos membros das famílias dos produtores. Esse aumento foi generalizado no País, com exceções de certas áreas da região Norte, em especial nos estados do Pará e do Amazonas.
O aumento da participação da mão-de-obra familiar no Nordeste, em especial na região que se estende de Alagoas ao Norte de Pernambuco, parece refletir o assentamento de famílias de trabalhadores agrícolas em regiões tradicionais de lavoura de cana-de-açúcar. Exceção para o Oeste baiano, onde em uma área de agricultura empresarial ligada à soja, introduzida ainda na década de 1980, foi verificada maior proporção de empregados contratados sem laço de parentesco com o produtor.
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