Nº 311 - ANO 23 - AGOSTO DE 2009
 
Criadores retiram suínos da Expointer para evitar gripe A
 
Foto: Divulgação Farsul  
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Leitões e matrizes foram os primeiros a desfalcar o evento
A Expointer 2009 não terá a participação dos 191 suínos que haviam sido inscritos na mostra, que acontece de 29 de agosto a 6 de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A decisão foi tomada no dia 14 de agosto, em reunião entre líderes da cadeia produtiva da carne suína e representantes do ministério e da secretaria da Agricultura, em Porto Alegre.
A medida, de acordo com nota do Comitê Estadual de Sanidade Suína, tem por objetivo evitar o contato dos animais com pessoas que eventualmente estejam com a gripe A. A preocupação deve-se à comprovação, em outros países, de que a doença pode ser transmitida de humanos para suínos.
O presidente da Comissão de Suinocultura da Farsul, João Picoli, explicou que a media é preventiva e tem por objetivo minimizar os riscos de contágio do rebanho gaúcho. Caso houvesse a transmissão da gripe A para os animais, as exportações poderiam sofrer redução. No entanto, atualmente aproximadamente a metade do volume produzido no Estado é vendido para outros países.
Agora, os criadores buscarão outra forma de participar da Expointer. Picoli destacou que o pavilhão poderá ser utilizado em atividades de promoção da carne suína, para que não se perca toda a vitrine da mostra. No final de julho, já havia sido definido que leitões e matrizes prenhas não seriam levados à Expointer.
Exportações
As exportações de suínos cresceram 6% de janeiro a junho em relação ao mesmo período do ano passado. A informação é do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. No entanto, a arrecadação com as exportações do produto in natura em julho foram de 91,2 milhões de dólares, menor do que os 94,6 milhões de junho. O volume total embarcado no mês passado foi de 42,2 mil toneladas, 19% menor do que em junho. O preço médio voltou a registrar valorização. Em julho, a carne suína in natura foi negociada a 2.164,4 dólares a tonelada, 8,6% maior do que em junho, de 1.992,2 dólares a tonelada. O saldo das exportações, segundo o ministro, é positivo. “Além disso, o preço do produto reagiu ligeiramente, o que não significa queda no consumo”, explicou. No entanto, em relação a julho de 2008, o desempenho financeiro do mês passado foi 42,1% inferior.
A Rússia adiou, mais uma vez, a decisão sobre possível descontinuidade do sistema de cotas de importação de carnes. Representantes do governo brasileiro já fizeram sete visitas ao país neste ano para tratar do tema, com o intuito de que não haja segmentação das compras do produto a partir de 2010, quando o sistema expira, caso não seja renovado. A proposta levada pelo Brasil é a de cota única, com apenas um tipo de tarifa, ganhando mercado o produtor mais competitivo. Atualmente, a Rússia privilegia a União Europeia e os Estados Unidos, que juntos têm direito a 98% do mercado russo da carne de aves, 83% do de bovinos e 67% do de suínos. O Brasil disputa com outros países o percentual que sobra e paga taxas, que podem chegar a 95%, quando exporta fora da cota. A atenção com a decisão do país tem uma motivação muito forte: 50% das exportações de carne suína brasileira são para a Rússia.
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