Nº 323 - ANO 24 - AGOSTO DE 2010
 
Editorial
 
Novamente nós, gaúchos, tomamos a dianteira na defesa dos interesses da agricultura brasileira. O movimento organizado no dia 10 de agosto em Porto Alegre, gestado pelas bases, por aqueles que vivem o dia-a-dia do campo, e levado em frente com apoio da Farsul e de outras entidades parceiras, foi mais uma prova do nosso pioneirismo e capacidade de organização. Mais do que isso: deve servir de modelo para uma mobilização nacional, porque as dificuldades que enfrentamos são comuns aos colegas do sudeste, centro-oeste, norte e nordeste do país; enfim, de todo este Brasil agrícola construído em grande parte por mãos gaúchas.
A diferença desta para as muitas mobilizações que já fizemos até hoje é que nunca esteve tão presente, nos discursos de nossos representantes, na indignação de cada produtor, a necessidade de uma solução definitiva para as dificuldades que há décadas enfrentamos. Já não bastam paliativos, medidas que significam não mais do que empurrar com a barriga os problemas. Chega de rolagens de dívidas que nos deixam respirar por apenas algum tempo. A agricultura vai bem no Brasil, o país colheu na última safra 127 milhões de toneladas de grãos - e podia ser bem mais, se tivéssemos apoio -, o agronegócio tem sustentado a balança comercial e a economia brasileira nos últimos anos. Mas nós, agricultores, vamos mal; muito mal. Já é hora de sermos respeitados por tudo que temos proporcionado ao país. Precisamos, sim, solucionar os passivos dos últimos anos. Mas é só com seguro rural e políticas de garantia de renda que conseguiremos subsistir na atividade e evitar o ciclo vicioso de rolagens de débitos.
Que outra nação, além do Brasil, tem o privilégio de ainda ter vastas extensões de terras férteis e agricultores que demonstram ano a ano mais capacidade de produzir, com tecnologia e eficiência? A agropecuária brasileira é um orgulho para o país. Nos últimos anos, o campo vem produzindo um volume cada vez maior de alimentos, permitindo que a comida chegue a preços cada vez menores na mesa dos trabalhadores - o que significa mais poder de compra na cidade. Isso é ótimo, mas não pode ser feito apenas às custas dos produtores.
O momento é oportuno para rediscussão da relação do governo e da sociedade brasileira com o campo. Nosso movimento foi apenas um começo. Estejamos em estado de mobilização permanente, prontos para novas ações. É hora de mostrarmos à cidade o que temos proporcionado a esse país e o tratamento que temos recebidos dos sucessivos governos. E de elegermos mais parlamentares e governantes comprometidos com a causa do campo. Uma política agrícola decente é o mínimo que se espera de um país que se pretende protagonista no cenário econômico global.
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