Nº 323 - ANO 24 - AGOSTO DE 2010
 
Serra quer “tranquilidade para quem investe e seguro para quem produz”
 
Estabelecer um seguro rural eficiente e abrangente está entre as prioridades do candidato à Presidência da República José Serra para o setor rural. Em campanha eleitoral no Rio Grande do Sul, o presidenciável fez uma visita à sede da Farsul no dia 22 de julho, quando apresentou suas propostas para uma plateia de técnicos e produtores reunidos no 39º Fórum Permanente do Agronegócio. Na oportunidade, também foi convidado para a Expointer, que ocorre entre 28 de agosto e 5 de setembro, em Esteio.
De acordo com Serra, o estabelecimento de um seguro rural abrangente trará benefícios para os agricultores sem inviabilizar as contas do país. “A questão do seguro rural, vamos tocar em frente para valer. Acho que se o Tesouro gastar dinheiro formando um seguro bom, subsidiando, sai mais barato do se eu faço um perdão de dívidas, que às vezes é indispensável. Então, estou propondo gastar melhor”, afirmou Serra.
O candidato do PSDB, que destacou a importância da Farsul no cenário nacional como a entidade regional mais forte e organizada do setor, ainda ouviu o relato do presidente da Federação, Carlos Sperotto, sobre a atual situação do campo e as dificuldades vivenciadas pelos agricultores na conjuntura atual. O dirigente salientou que a supersafra gaúcha, estimada em 24 milhões de toneladas de grãos no período 2009/2010, não significa renda no bolso do produtor, devido aos preços baixos das commodities agrícolas. “Normalmente produzimos de 18 milhões a 19 milhões de toneladas de grãos (por safra). Agora, produzimos 24 milhões, mas, se vendermos essas 24 milhões de toneladas, mal e mal atenderemos o custeio. A equação não fecha”, afirmou. Para o dirigente, este é o momento de se discutir profundamente o tema, levando à sociedade a realidade do campo, a fim de se chegar a soluções definitivas. “Queremos a oportunidade de trabalhar com dignidade e continuarmos com essas condições no futuro. Os preços aviltados não nos permitem consolidar o volume de compromissos que temos”, concluiu.
Tanto Serra quanto Sperotto lembraram o papel fundamental dos gaúchos na formação do setor primário brasileiro, capitaneando a colonização do Oeste do país e a produção de nacional de alimentos. O presidente da Farsul também saudou o fato de Serra estar cercado de conhecedores dos problemas da agricultura.
Ao comentar o panorama eleitoral, o candidato do PSDB considerou a corrida ao Planalto uma dura disputa, acrescentando que aposta no debate público de ideias para sair vitorioso. Para ele, sua principal adversária, Dilma Rousseff, do PT, não valoriza essa discussão.
“Eu não sei o que a candidata pensa sobre agricultura”, afirmou. Serra ainda criticou a relação de proximidade entre o MST e o PT. “O movimento (MST) é financiado pelo governo. É um movimento político que tem reforma agrária como um pretexto. Na verdade, é um movimento socialista e revolucionário. O governo não pode financiar um movimento desta natureza e de nenhuma outra”, afirmou. E concluiu, apresentando o foco de seu programa de governo: “Mais tranquilidade para quem investe e mais seguro para quem produz”.
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