Nº 323 - ANO 24 - AGOSTO DE 2010
 
Fórum do Agronegócio debate fertilização
 
A 29ª etapa do Fórum Permanente do Agronegócio, organizado pelo Sistema Farsul por meio da Casa Rural - Centro do agronegócio, reuniu técnicos e produtores para discutir a fertilização e preparo do solo na lavoura gaúcha. Durante dois dias de julho, 193 participantes do evento lotaram o auditório da Federação, em Porto Alegre. O vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, disse que o assunto é de extrema importância porque o produtor está com dificuldade de obter renda na atividade. “A Farsul montou o fórum, por meio da Casa Rural, porque os fertilizantes são um dos importantes componentes de custo da lavoura. O produtor não consegue dominar o mercado, mas pode controlar os custos”, destacou Gedeão. “Em dois dias mostramos de que forma o produtor rural pode aumentar a produtividade e melhorar a rentabilidade do seu negócio. Acredito que deve ser um processo contínuo, por isso estamos avaliando o que foi mostrado no evento para que posteriormente possamos levar ao interior do Estado questões pontuais e discuti-las em pequenos fóruns”, avaliou o gerente executivo da Casa Rural, Lourival Martins.
Um dos palestrantes foi o engenheiro agrônomo Ibanor Anghinoni, consultor téncico do Irga e professor aposentado do Departamento de Solos da Faculdade de Agronomia da UFRGS, que falou sobre as diferenças no processo de correção da acidez do solo em campos com plantio convencional e com plantio direto, que passou de 300 mil hectares no Estado em 1993 para 3,7 milhões no ano passado (no Brasil, a área cultivada com o sistema chega a 25,5 milhões). O especialista explica que, no segundo caso, a necessidade de calcário tende a cair gradativamente, à medida que o cultivo diretamente na palha é repetido a cada safra. “Nos dois sistemas de cultivo, o solo terá alumínio, tem acidez. Mas no caso do plantio direto o alumínio tem menos toxidade, devido à complexidade que o solo adquire com o tempo. Mas isso só depois de consolidado, porque no primeiro ano de plantio direto a necessidade de correção com calcário é semelhante”, explica Anghinoni. O engenheiro agrônomo alerta que até mesmo a forma de se medir a necessidade de calcário em cada hora deve ser diferente dependendo do tipo de cultivo. “No sistema convencional se usava um único fator para medir a acidez, normalmente o Ph. No plantio direto recomenda-se usar dois indicadores principais: o Ph em água e a saturação por bases. E ainda há dois complementares: saturação por alumínio e teor de fósforo”, complementa.
Já o processo de fertilização em agricultura de precisão foi um dos focos da palestra de Telmo Amado, professor da UFSM. Ele apresentou os resultados de pesquisas demonstrando a diferença de eficiência em lavouras adubadas de forma uniforme, segundo a média de necessidade da área, e em lavouras tratadas diferentemente, segundo a demanda de cada área analisada. “Adubar pela média significa que vamos sub-adubar algumas áreas e superfertilizar outras. Consegue-se acertar em 35% a 40% da lavoura”, conclui.
Ele também alertou para a importância da manutenção adequada dos implementos, para que o fertilizante seja distribuído uniformemente pela máquina. Nos equipamentos que fazem adubação a lanço, é comum haver uma maior distribuição de insumos na parte central da máquina, deixando a região periférica com menos material. “Às vezes se faz tudo direitinho: análise de solo, definição da adubação com precisão, etc... Mas não se cuida da calibragem e regulagem dos equipamentos. Tem uma frase que diz que tão importante quanto o que fazer no solo é como fazer. É preciso todo o cuidado na hora de fazer a adubação a lanço”, afirma Amado.
O Fórum Permanente do Agronegócio ainda contou com palestras dos especialistas Ali Saab (Ministério da Agricultura), Fabrício Povh, Fundação ABC/PR), Clesio Gianello (UFRGS), Raquel Pötter Guindani (Estância Guatambu), Gustavo Floss (Grupo Floss) e Marcelo Melarato (doutor em solos pela Esalq/USP). Já o consultor da CNA Roberto Brant falou sobre política agrícola.
Consultor da CNA propõe nova política
Em sua palestra na 39ª edição do Fórum Permanente do Agronegócio, o consultor da CNA Roberto Brant defendeu mecanismos que garantam renda para o produtor. Entre eles, a criação de uma agência para compensar as flutuações dos preços agrícolas, causadas por circunstâncias alheias às decisõesdos agricultores. “O produtor sabe produzir competitivamente. Mas os preços agrícolas oscilam. A ideia é uma agência com recursos públicos e privados que pudesse garantir recursos toda vez que os preços caiam abaixo de determinado nível”, explicou Brant.
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