Nº 323 - ANO 24 - AGOSTO DE 2010
 
Divulgado estudo que mapeia desempenho de cultivares de soja
 
Já está à disposição dos produtores rurais gaúchos o estudo de desempenho de cultivares de soja indicadas para o Rio Grande do Sul no zoneamento agrícola, uma iniciativa do Sistema Farsul com a Fundação Pró-Sementes.
Um dos destaques da avaliação da safra 2009/2010 foi a significativa melhora na produtividade no município de São Gabriel. Enquanto no período 2008/2009, marcado pela seca, o rendimento médio ficou em 1.268 quilos por hectare (Kg/ha), na última safra a média foi de 3.384 Kg/ha. Por isso, o assessor do conselho diretor da Fundação, Rui Rosinha, recomenda que os produtores avaliem as tabelas levando em conta os resultados dos dois anos analisados. Como a penúltima safra se deu em período de estiagem e a última com bom volume de água, pode-se verificar o desempenho de cada cultivar nessas duas condições, explica.
Na safra 2009/2010, a produtividade média na região noroeste (São Luiz Gonzaga e Júlio de Castilhos) ficou em 4.360 Kg/ha; na norte (Passo Fundo), 4.125 Kg/ha; na sul (Cachoeira do Sul e São Gabriel), 3.158 Kg/ha; na Nordeste (Vacaria), 2.706 Kg/ha. As diferenças são atribuídas ao clima e ao solo. O coordenador da Comissão de Grãos da Farsul, Jorge Rodrigues, lembra que no norte e noroeste o solo já vem sendo trabalhado e tratado com plantio direto há mais tempo, o que contribui para o bom resultado na pesquisa.
Diante da previsão do fenômeno La Niña - que, segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticas, segue se desenvolvendo no Oceano Pacífico -, o representante da Federação recomenda escalonamento no cultivo das áreas, com diversificação de variedades e plantio diluído no período recomendado pelo zoneamento. O La Niña é um fenômeno climático que tende a gerar períodos de estiagem no Brasil, justificando a adoção de técnicas de redução de risco. “O agricultor tem de jogar com as cultivares e com as épocas, plantando variedades diferentes e em ciclos diferentes, porque o déficit hídrico não é constante. Pode ser acentuado e concentrado em determinado período”, concorda Rosinha. Para se ter ideia de quanto alguns dias de diferença na semeadura podem influenciar no resultado final, vale lembrar que, no estudo de desempenho de cultivares, um ensaio conduzido com irrigação em Santo Augusto obteve média de 3.813 Kg/ha, ante 5.144 Kg/ha da área semelhante não-irrigada, só que cultivada 18 dias antes. “A diferença existente entre a média do ensaio das duas épocas de semeadura, mesmo com complementação hídrica, pode ter sido influenciada pela época de plantio”, conclui o estudo.
O estudo de desempenho de cultivares de soja incluiu a análise das sementes convencionais e transgênicas. As cultivares testadas têm origem em nove obtentores: Brasmax, Coodetec, Embrapa, Fepagro, FTS, Fundacep, Nydera, Syngenta e TMG. Os campos de testes receberam tratamentos semelhantes, a fim de permitir a comparação entre cultivares.
Entre todas as variações verificadas, a combinação que resultou na maior produtividade nesta safra foi a da semente Don Mario 5.8i RR plantada em um campo de Santo Augusto (6.278 Kg/ha). Os demais ensaios que ultrapassaram a marca de 6 mil Kg/ha envolveram as seguintes sementes e os seguintes locais: FPS Júpiter RR em Júlio de Castilhos (6.214 Kg/ha), BRS Taura RR em Santo Augusto (6.107 Kg/ha), NK 3363 em Santo Augusto (6.048 Kg/ha), NK 7059 RR em Júlio de Castilhos (6.021 Kg/ha) e FPS Júpiter RR em Santo Augusto (6.018 Kg/ha). Esse ranking, no entanto, não deve ser levado em conta isoladamente na hora de decidir o cultivo, uma vez que, em outros campos e em outros períodos de plantio, essas mesmas cultivares apresentaram desempenhos inferiores a outras. A recomendação é para que o produtor procure o desempenho de cada variedade no campo de ensaio mais próximo e com características mais semelhantes ao de sua propriedade.
voltar