Nº 323 - ANO 24 - AGOSTO DE 2010
 
Brasileiros contestam favorecimento de triticultores argentinos
 
O presidente do Sistema Farsul, Carlos Sperotto, cobrou do Ministro da Agricultura, Wagner Rossi, uma posição da pasta sobre o acordo feito pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) com a Associação Argentina de Produtores de Trigo. “Mostrei indignação no protesto encaminhado ao Ministro, porque produtores gaúchos têm trigo estocado, enquanto essa manobra favorece os vizinhos argentinos”, ressaltou Sperotto.
Anunciada neste mês de julho, a parceria, que prevê melhor remuneração como estímulo para os estrangeiros produzirem trigo do tipo pão, foi encarada como desrespeitosa pelos agricultores brasileiros. De acordo com o coordenador da Comissão de Trigo da Farsul, Hamilton Jardim, o acordo não foi comunicado a entidades representativas da agricultura no Brasil. “O acordo prevê um plus em termos de preço para eles. Por que a Abitrigo não fez conosco? Que tipo de parceria é essa? Por que não incentivaram a produção aqui dentro do país?”, questiona.
O acordo é considerado ainda mais preocupante no momento em que a previsão de safra argentina é questionada. Segundo Jardim, a tendência é de que o país vizinho produza mais do que as 9,6 milhões de toneladas anunciadas. O volume subestimado refletiria o interesse dos argentinos de manter preços em alta no atual momento. No entanto, se a colheita for efetivamente maior do que a prevista, o resultado tende a ser mais concorrência de trigo estrangeiro no mercado brasileiro, e preços em queda no pós-colheita.
Além da parceria com os argentinos, outro problema segue a gerar polêmica: a redução do preço mínimo do trigo no Brasil. Os valores de referência foram reduzidos em 10%. No caso do tipo 1 brando, caiu de R$ 26,46, a saca, na safra passada para R$ 23,81; do tipo 1 pão, de R$ 31,80 para R$ 28,62; e do tipo 1 melhorador, de R$ 33,30 para R$ 29,97. A modificação levou a Federação da Agricultura do Estado do Paraná a recorrer judicialmente da medida, levando o caso para avaliação no Superior Tribunal de Justiça. “O governo mudou as regras no meio do jogo e consequentemente vai causar prejuízo ao produtor. Tudo isso é muito preocupante, porque as margens já estão muito pequenas e, ao mesmo tempo, o governo reduz o preço mínimo e o Brasil se abre para outros mercados suprirem (a demanda nacional)”, resume Jardim.
O plantio de trigo já está concluído no Rio Grande do Sul. No final de julho, a Emater reduziu a projeção de produção, prevendo uma safra 10,7% menor do que a de 2009/2010 (no levantamento anterior, a queda prevista era de 8,16%). A área plantada ficou em 767,7 mil no Estado, que devem gerar uma colheita de 1,566 milhão de toneladas, a partir de uma produtividade média de 2,040 mil quilos por hectare.
As dificuldades enfrentadas pelos triticultores brasileiros serão discutidas na Expointer, em Esteio, durante reunião da Câmara Setorial Nacional das Culturas de Inverno.
voltar