Nº 341 - ANO 26 - FEVEREIRO DE 2012
 
Fórum aponta riscos no mercado de arroz
 
O presidente da Câmara Setorial Nacional do Arroz e da Comissão do Arroz da Farsul, Francisco Schardong, destacou a possibilidade de repetição dos problemas de preço registrados na comercialização da última safra de arroz. A alerta foi feito durante o Fórum Internacional da Comercialização do Arroz, que ocorreu em 27 de janeiro, durante a 2ª Expo Dinâmica e Tecnológica - Tecnologias para a Metade Sul, em Jaguarão. O evento discutiu o mercado futuro para o grão dentro do cenário do Mercosul e dos demais países.
Para evitar o reedição do problema, Schardong avaliou que será necessário desenvolver uma engenharia entre indústrias e setor produtivo para a construção de mecanismos ágeis que vigorem no início da colheita. “Precisamos de leilões de Contratos de Opção e de PEP já na abertura da safra”, salientou. O dirigente também frisou que o PEP deve estar preparado para entrar em operação se o preço de mercado cair abaixo do mínimo de R$ 25,80. O mecanismo é usado para estimular as exportações.
O balanço do ano comercial que se encerra em fevereiro deve terminar com recorde nas exportações de arroz gaúcho, chegando a 2 milhões de toneladas. Ainda assim, Schardong demonstrou preocupação com o grande volume de estoques público e privado, que pode trazer mais prejuízo do que a redução de área e a seca, responsáveis pela diminuição da produção.
No Fórum, também foi reforçado o pedido do setor para aumento da TEC (Tarifa Externa Comum) na importação de arroz de terceiros mercados de 12% para 30%, funcionando como uma proteção para o Mercosul. Os produtores estão preocupados com a possível sobra de arroz no mercado internacional e a entrada deste produto no Brasil.
Schardong saudou ainda o cultivo da soja na metade Sul. Segundo ele, soja e arroz são o casamento perfeito. “A soja beneficia o arroz, porque o produtor vende no mercado futuro uma parte da produção de soja e, quando começam a vencer os financiamentos de custeio, ele faz dinheiro com a soja para pagar também a despesa do arroz, saindo da pressão de comercialização no início da colheita”, explicou.
O diretor executivo do Fundo Latino-Americano de Arroz Irrigado (Flar), o uruguaio Gonzalo Zorrilla, um dos painelistas do Fórum, ressaltou que os problemas de comericalização enfrentados pelos produtores gaúchos são diferentes dos registrados nos demais países do Mercosul. Segundo ele, o Uruguai, por exemplo, tem tradição na exportação e atualmente vende 95% da produção para mais de 40 países, inclusive para o Brasil. De acordo com Zorilla, o plantio de soja no país vizinho ainda é pequeno nas áreas tradicionais de arroz, mas ele reconhece que a rotação entre as duas culturas seria ideal.
A Expo Dinâmica e Tecnológica tem como objetivo apresentar alternativas de diversificação na produção agrícola da Metade Sul, com introdução de soja, milho, feijão, sorgo e forrageiras. A segunda edição do evento aconteceu entre 26 e 28 de janeiro, no Parque de Exposições do Sindicato Rural de Jaguarão.
Abertura Oficial
da Colheita
A Abertura Oficial da Colheita de Arroz, que ocorre de 23 a 25 de fevereiro, em Restinga Seca, foi lançada oficialmente na noite de 31 de janeiro, no restaurante da Farsul, em Porto Alegre.
O evento reuniu 120 convidados, entre apoiadores, patrocinadores, homenageados, produtores, políticos e dirigentes setoriais. Na ocasião, a Federarroz apresentou programação e patrocinadores a autoridades e imprensa. A Farsul foi representada na solenidade pelo presidente da Comissão de Arroz e da Câmara Setorial Nacional do Arroz, Francisco Schardong. Além disso, o assessor econômico do Sistema Farsul, Antônio da Luz, será um dos homenageados no evento, recebendo o troféu Parceiro do Arroz.
Em sua 22ª edição, o evento terá 14 expositores na Vitrine Tecnológica, um recorde de participação, reunindo o que há de mais moderno em tecnologias e insumos para a lavoura. Neste ano, o foco será direcionado ao mercado interno e externo. Serão promovidos debates, treinamentos e apresentações de mecanismos de comercialização, de campanha de consumo e de usos alternativos como ração animal e etanol, além de dinâmicas com máquinas agrícolas.
Para o presidente da Federarroz, Renato Rocha, a comercialização do grão deve melhorar em 2012, principalmente por conta da redução dos volumes produzidos no Mercosul, inclusive no Brasil, e pelos excelentes resultados da exportação, que deve atingir 2 milhões de toneladas. O ajustado estoque de passagem, grande parte em mãos do governo, também deve beneficiar as vendas, opina Rocha.
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