Nº 345 - ANO 26 - JUNHO DE 2012
 
Editorial
 
Há 85 anos, no dia 24 de maio de 1927, em uma assembleia no Teatro São Pedro, em Porto Alegre, os produtores rurais gaúchos criavam a Federação das Associações Rurais do Rio Grande do Sul. A data que marca o nascimento da Farsul é um marco para toda a agropecuária nacional. A entidade riograndense foi inspiração para a criação de outras federações de agricultores no país.
Foi uma crise que levou à organização dos produtores nos princípios do século XX. À época, o contrabando de gado e carne do Uruguai, entre outras mazelas, atingiam o setor.  Desde então, foram inúmeras as crises circunstanciais e sistêmicas pelas quais passaram a agropecuária, e a superação das mesmas sempre teve a contribuição da federação de agricultura gaúcha. As crises não deixam de ser naturais em uma atividade que se constitui em verdadeira indústria a céu aberto. É assim em qualquer parte do mundo. O que muda de país para país é a compreensão dessa realidade, e a preparação para enfrentá-la com políticas públicas adequadas, que reequilibrem o sistema sempre que somente a eficiência empresarial no campo não for suficiente para tanto.
Como em 1924, o Estado está às voltas com mais uma crise no campo, causada por mais um ciclo de implacável estiagem. Mas é injusto rememorar a história da Farsul e da agropecuária gaúcha lembrando-se apenas dos momentos de dificuldades. Se é verdade que as crises seguem ameaçando a produção, também é nosso dever ver os avanços do setor primeiro gaúcho e brasileiro nas últimas décadas. O agronegócio tem sustentado a economia do país, garantido saldos na balança comercial que são o lastro para a estabilidade nacional. Com eficiência na produção de alimentos, o produtor tem dado as respostas que a sociedade precisa.
O campo hoje tem voz, e o agricultor brasileiro é respeitado. A participação da Farsul e da CNA nas discussões de elaboração do novo Código Florestal são provas disso. Os vetos da presidente Dilma Rousseff ao projeto resgataram algumas injustiças eliminadas anteriormente na Cânmara dos Deputados. Novamente, o tema será discutido e poderá passar por alterações no Congresso. E, de novo, a federação gaúcha estará presente, por meio de seus dirigentes e assessoria técnica, em Brasília. Desse diálogo aberto com parlamentares, já se conseguiu assegurar uma legislação que não inviabilizasse a produção.
A Farsul está preparada para enfrentar tantas crises no campo quanto forem necessárias. Até que o Brasil seja realmente um país que garanta tranquilidade e segurança jurídica aos seus produtores, comprometendo-se com o apoio institucional a uma atividade que garante abastecimento alimentar, não só ao país, mas ao mundo.
Nossa meta é poder trabalhar cada vez mais com soluções pró-ativas permanentes, e menos na defesa de paliativos para cada nova crise.
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