Nº 345 - ANO 26 - JUNHO DE 2012
 
Cadeia florestal discute produtividade e alternativas de renda
 
O Sistema Farsul esteve presente na quarta edição da Feira da Floresta, evento realizado em maio, em Gramado, que contou com ciclo de palestras voltado a produtores rurais e debateu, entre outros temas, produtividade de áreas florestais, alternativas agrossilvipastoris e energéticas. O assessor técnico da Farsul Ivo Lessa e o presidente da Comissão de Silvicultura da Federação, Rodrigo Pacheco, representaram a entidade no evento.
Para o consultor florestal da Syngenta, Pedro Francio Filho, um dos palestrantes do ciclo, o Brasil pode aumentar a produtividade de suas áreas florestais em até 50% somente aprimorando a tecnologia utilizada no campo. Um dos pontos críticos para melhoria da produtividade é a atenção com o solo, muitas vezes deixada de lado ou tratada com fórmulas equivocadas. A produtividade média brasileira é de 40 metros cúbicos por hectare por ano no caso do eucalipto e de 32 metros cúbicos por hectare por ano no do pinus. “No eucalipto, podemos aumentar para 60 metros cúbicos (ha/ano) apenas trabalhando o solo e aplicando técnicas corretamente. Em alguns sítios consegue-se chegar a até 80 metros cúbicos (ha/ano). E no pinus podemos passar de 50 metros cúbicos (ha/ano)”, afirma Francio. Pacheco confirma que muitas vezes o cuidado com o solo é deixado de lado, especialmente em áreas dedicadas somente ao plantio de florestas. “Onde há implantação de uma planta associada, aumentam os cuidados, com foco para aquela planta que dará resultados no prazo menor. Como a floresta pode ter ciclo de até 15 anos, nem sempre a correção de solo com calcário e a adubação são feitas da forma recomendada”, afirma o presidente da Comissão de Silvicultura da Farsul.
Já o técnico da área de silvicultura da Emater/RS, Dirceu Slongo, apresentou sistemas que integram a produção de alimentos em áreas de florestas. Entre os cases apresentados está a de plantio de banana em meio a florestas nativas. Com o novo Código Florestal e a necessidade de áreas de preservação permanente (APP) e reserva legal, a exploração sustentável em áreas de vegetação nativa foi um dos temas mais debatidos do evento.
Outro destaque dos debates na feira foi o aproveitamento energético racional de resíduos florestais deixados no campo e em indústrias, afirma Luiz Elody Sobreiro, coordenador do Seminário Biomassa, evento paralelo à Feira da Floresta. Aproximadamente 30% da madeira plantada para uso na cadeia moveleira é desperdiçada no Rio Grande do Sul. Se transformada em pellets, pequenos cilindros de madeira concentrada e desidratada altamente energéticos, essa biomassa hoje não utilizada poderia movimentar a economia, sendo exportada, especialmente para a Europa, ou abastecendo caldeiras em empreendimentos e residências brasileiros, acrescenta o especialista. “Propomos o uso de pellets para calefação, residências, caldeiras, fornalhas. Grupos de pequenos produtores florestais organizados podem explorar este mercado. O pellet é 40% mais econômico que o cavaco de madeira, sem contar a economia no transporte, no estoque e no tempo de funcionamento da caldeira, já que o pellet é concentrado e muito menos úmido, tendo combustão mais rápida”, diz Sobreiro.
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