Nº 345 - ANO 26 - JUNHO DE 2012
 
Leite: produção e preço em baixa
 
A Fenasul serviu de palco para a reunião do Conseleite de maio. Realizado na casa da Farsul em Esteio, o encontro apontou os preços de referência do produto.
A projeção para o litro do tipo padrão entregue no quinto mês é de R$ 0,6589. O valor é um pouco menor do que o consolidado de abril, quando o litro valeu R$ 0,6633. Para o presidente da Comissão de Leite da Farsul, Jorge Rodrigues, que também preside o Conseleite, a redução de um mês para o outro é atípica e não era esperada, devido ao período de estiagem pelo qual passa o Estado. Como a seca reduz a oferta, havia expectativa de uma pressão de preços no sentido contrário. “A situação é curiosa, sem explicação lógica. O que pode estar havendo é uma pressão do varejo por promoções, mascarando um preço em baixa”, disse Jorge Rodrigues. O dirigente acrescentou que a cadeia vai analisar, nos próximos dias, a possibilidade da prática de dumping pelo varejo, com venda do leite abaixo do custo de produção.
Outro problema que tem prejudicado os produtores são as importações e a baixa competitividade do Brasil, na comparação com países vizinhos. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), o produtor argentino recebe 25% menos do que o brasileiro pelo litro de leite entregue, e o uruguaio, 13% menos. Em março, por exemplo, o leite em pó importado entrou em média por um valor 25% menor do que o do produto nacional.
A situação é ainda mais grave porque a captação de leite tem aumentado na Argentina e Uruguai, onde a previsão de alta na produção é de 22% para 2012. “Será que esse aumento é para atender ao mercado interno uruguaio?”, ironizou o presidente da Comissão de Leite da CNA, Rodrigo Alvim.
Em 2008, a média de importação do leite em pó uruguaio era de 375 toneladas mensais. Nos primeiros quatro meses deste ano, o Brasil importou um volume médio de 3,8 mil toneladas por mês do país vizinho. Essa quantidade, acrescida das importações chilenas e argentinas do mesmo produto, chega a um volume médio de 8,5 mil toneladas por mês. O impacto dessas importações para a cadeia produtiva no Brasil já reflete na redução do índice de captação de leite nos últimos 17 meses. Segundo dados do Cepea, de janeiro a março deste ano, o índice de captação não cresceu pela primeira vez desde a sua criação. No mês de março, o índice registrou queda de 4% em relação a fevereiro.
No início de junho, Alvim participou de reunião da Subcomissão de Leite da Câmara dos Deputados, onde enumerou medidas emergenciais que mitigariam os efeitos das importações. Entre elas, destacou a necessidade de um acordo de cotas com o Uruguai e a manutenção do pacto com a Argentina, com a inclusão do item queijo na negociação. Alvim ainda propôs a isenção de impostos (PIS/COFINS) sobre a ração animal e o sal mineral.
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