Nº 379 - ANO 29 - ABRIL DE 2015
 
Editorial
 
Em meio a um cenário de turbulência e incertezas econômicas, o campo ainda respira mais aliviado. O início da safra de soja foi alvissareiro, com bom desempenho das variedades precoces. Se o clima não atrapalhar, mais de 14 milhões de toneladas do grão serão colhidas no Estado, representando mais de R$ 15 bilhões a preços de mercado, em cotações atuais. Sem contar a boa safra de arroz, milho e a temporada de comercialização de terneiros, que também contribuem para movimentar a economia.
É um alívio não apenas para o produtor e para a cadeia do agronegócio, mas também para as combalidas finanças públicas do Estado, já que esse dinheiro deve movimentar a economia gaúcha em uma época de retração nacional. Com isso, a expectativa é de que a arrecadação reaja. Uma esperança para a equipe do governador José Ivo Sartori, que iniciou um roteiro denominado Caravana da Transparência, para levar às comunidades do Estado informações precisas sobre as contas públicas.
O fato de a agropecuária viver um período de maior estabilidade do que os demais setores não significa, no entanto, que os produtores vivam fora do contexto. Os impactos do cenário macroeconômico já chegaram ao campo. E não apenas por meio de possível redução de consumo de produtos - até porque os últimos cortes a serem feitos são na mesa dos consumidores.
O mercado já projeta uma queda de 1% no PIB brasileiro em 2015, e a taxa Selic já está em 12,75% ao ano. Uma das principais consequências da crise é a alta dos juros para o financiamento agropecuário. A média do custeio deve saltar de de 6,5% para aproximadamente 8% ao ano no próximo Plano Safra, apostam especialistas, seguindo o movimento da taxa básica. E as últimas operações para aquisição de máquinas pelo Moderfrota por 4,5% foram na Expodireto: agora, só a 7,5% ao ano. Além disso, o comportamento do câmbio ameaça os custos de produção. Se ajuda a elevar as cotações da soja atualmente, a desvalorização tende a aumentar o custos dos insumos para as próximas safras. Não apenas para a lavoura de soja, mas também para trigo, milho, arroz, pecuária...
Com juros e custos mais altos, resta ao produtor mais atenção à gestão e controlar gastos, organizar as compras de insumos, a fim de preservar os resultados de uma excepcional safra, que vem se confirmando, graças a São Pedro, mas, principalmente, à tecnologia empregada na agricultura.
O Sistema Farsul está ao lado do produtor nessa empreitada, oferecendo capacitação por meio do Senar-RS e eventos como o De Onde Virão os Terneiros?, que ocorre dias 8 e 9 de abril em Lavras do Sul, com o objetivo de melhorar a produtividade da pecuária gaúcha. Ainda a Casa Rural oferece mais opções para aquisições de insumos. Buscar novas tecnologias para aplicar no campo e na administração dos negócios rurais: eis a melhor saída para atravessar incólume à crise.
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