Nº 379 - ANO 29 - ABRIL DE 2015
 
Farsul anuncia parceria com três cooperativas para segregação de trigo
 
O Sistema Farsul firmou parceria com três cooperativas do Estado para armazenamento de 2,6 milhões de sacos de trigo segregado na safra 2015. O primeiro acordo foi de 1 milhão de sacos com a Cotrijal, anunciado durante a Expodireto. A seguir, a Federação acertou 1 milhão de sacos com a Cotrisal, de Sarandi, e outros 600 mil com a Cotripal, de Panambi.
O presidente do Sistema Farsul, Carlos Sperotto, entende que a separação dos diferentes tipos de trigo é a melhor forma de obter remuneração condizente pelo grão. "A Farsul vem fazendo esta campanha nas últimas safras para atender às exigências das indústrias. Com a segregação, os empresários terão o grão desejado e o produtor poderá cobrar remuneração adequada", salienta.
Comercialmente, o grão é classificado em cinco classes: trigo brando, pão, melhorador, para outros usos e durum. Cada tipo apresenta diferença em termos de peso do hectolitro, número de queda, força de glúten, cor. O problema acontece quando as classes são misturadas em um único local de armazenamento. A indústria não aceita um trigo pão quando colocado junto a um trigo brando, usado para confecção de biscoitos, por exemplo.
Além disso, mesmo dentro de uma determinada classe, certos lotes do grão podem desenvolver qualidades diferentes de outros. A qualidade depende de fatores diversos, como genética da cultivar escolhida, condições climáticas durante o ciclo de cultivo, recursos do solo onde o trigo é semeado, tecnologia empregada e manejo após a colheita, entre outros.
O triticultor que está atento à necessidade de segregar a produção recebe bonificações diferenciadas da indústria na hora da venda. Por conta disso, o Sistema Farsul promove a campanha no Estado. “A produção nós não podemos controlar. O que podemos fazer é esse trabalho com as cooperativas e cerealistas no sentido de orientar o produtor para melhor renda”, afirma Hamilton Jardim, presidente da Comissão do Trigo da Farsul. A estimativa é de que 90% do grão produzido no Rio Grande do Sul seja entregue nesses locais antes de ser encaminhado aos moinhos.
O tema da segregação do trigo foi abordado em fevereiro, durante o lançamento dos Ensaios de Cultivares em Rede. Na ocasião, Jardim disse que as indústrias pagavam R$ 5 a mais por saco de trigo branqueador se este fosse armazenado corretamente. Hoje, garante que o valor continua o mesmo.
Os diferenciais na hora da venda prometem ser fundamentais para rendimento interessante na próxima safra. Segundo previsões da Farsul, o produtor de trigo gaúcho deverá colher 73 sacos só para pagar os custos operacionais da lavoura.

Prejuízo
Com o custo operacional de R$ 1.842,97 por hectare, apurado em fevereiro, o produtor de trigo do Rio Grande do Sul deveria receber R$ 44,95 por saco apenas para cobrir seu desembolso. O valor foi calculado pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul, considerando produtividade de 41 sacos por hectare, média do IBGE para o Estado.
O número é 78,4% maior - ou quase R$ 20 a mais - do que o valor praticado no mercado gaúcho pelo grão, que em fevereiro foi de R$ 25,19 o saco. Nos 12 meses analisados pelo estudo, fevereiro de 2014 a fevereiro de 2015, o preço do trigo despencou 23%. Para compensar os baixos preços com aumento de produtividade, o produtor teria de colher 74, em vez dos 41 sacos por hectare médios do IBGE.
Ao contrário das cotações do trigo, os custos de produção só aumentam. Eles subiram de R$ 1.754,98, por hectare, para R$ 1.842,97 no período (alta de 5%), conforme o relatório. O preço mínimo em vigor pela Conab, de R$ 33,45 por saco, cobre apenas 74,4% do desembolso apurado pela Farsul.
O aumento da taxa de câmbio deve impactar ainda mais o bolso do agricultor ao tornar mais caros fertilizantes e defensivos agrícolas. Principais itens do custo operacional de produção, os fertilizantes, herbicidas, inseticidas e fungicidas já tiveram aumento de 5,5%. Mão de obra e combustíveis subiram 9% e 13%, respectivamente. No frete, a alta foi de 13%.
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