Nº 385 - ANO 29 - DE 0000
 
Bons preços e altos custos marcam início do plantio do arroz
 
Em meio ao início da semeadura do arroz, uma boa notícia aos gaúchos que ainda têm o produto em estoque: o mercado está aquecido. Em movimento de alta desde meados de julho, o indicador Esalq / Senar-RS alcançou R$ 39,57, a saca de 50 quilos, no final de setembro, o maior patamar nominal da série histórica do Cepea, iniciada em 2005. “O arroz voltou à normalidade, surpreendendo pela rápida recuperação de preços”, destaca o presidente da Comissão do Arroz da Farsul e da Câmara Setorial Nacional do Arroz, Francisco Schardong.
O cenário causa admiração a partir dos episódios recentes de quedas de preço e ausência de pré-custeio. Em junho, as entidades do setor tiveram que negociar a prorrogação das parcelas de custeio da safra anterior junto ao Banco do Brasil, a fim de aliviar a pressão de venda e queda nos valores.
De acordo com o Cepea, houve crescimento na demanda das indústrias no Centro-Sul, tanto para os mercados atacadista e varejista, quanto para exportações. Um dos motivos é a forte alta do dólar, que superou, em setembro, os R$ 4 e atingiu a maior cotação desde 2002. Com isso, as importações brasileiras recuaram 41,8% na parcial de 2015 (janeiro a agosto), de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Para o produtor de arroz gaúcho, bons preços ao final da safra são uma necessidade. Segundo a assessoria econômica do Sistema Farsul, os custos de produção da safra 2015/2016 de soja e arroz terão os maiores altas dos últimos 21 anos - ou seja, desde a criação do Plano Real, em 1994, que solucionou o problema de hiperinflação no Brasil.
O arroz registrará aumento de 15% nos custos, com o desembolso alcançando R$ 35,83 por saco. O custo operacional total foi projetado em R$ 39,55 por saco. Segundo o levantamento, os motivos para as altas são a taxa de câmbio (que influencia no preço dos fertilizantes e agroquímicos), a energia elétrica, a alta do diesel e o aumento dos juros.

Safra
O plantio da cultura para a safra 2015/2016 acelerou nas últimas semanas, contabilizando 140 mil hectares (13%) de área semeada, segundo a Emater/RS. “O atual percentual indica um ligeiro atraso nesse início de safra”, revela o informativo, lembrando que a média observada nos últimos cinco anos para o início de outubro é de 20%.
Para a semeadura deslanchar, os rizicultores esperam redução na umidade. Só assim é possível a entrada das máquinas na lavoura.

Leilão
Foi realizado, no início de outubro, o primeiro leilão eletrônico do programa Arroz na Bolsa. Lançado durante a Expointer 2015, a ação consiste em pregões privados do cereal em todo o Brasil, por meio do site da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM). A venda atingiu 10% da oferta (6 mil sacas de 50 quilos), e o preço médio foi de R$ 41.
Qualquer produtor com oferta maior que 540 sacas pode participar. Para isso, ele deve entrar em contato com escritórios de Irga e Emater de seu município, ou ainda as agências do Banrisul. Além das instituições citadas, a iniciativa tem parceria da Federarroz.
Os custos para o produtor são de 0,5% sobre o valor negociado. Ainda não há data para novo leilão.
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