Nº 402 - ANO 31 - MARÇO DE 2017
 
Editorial
 
Contar em imagens a história da mais antiga Federação da Agricultura do país, que completa 90 anos em 2017, não é uma tarefa das mais fáceis. Mas nem tanto pela escassez ou ausência de registros fotográficos mais antigos, dificuldade comum a quem encara desafios como esse: é que a história da Farsul é tão rica, tão cheia de momentos decisivos, mobilizações históricas, discursos inflamados e posições firmes em defesa do agronegócio gaúcho e brasileiro, que é preciso uma seleção rigorosa para não criar um acervo demasiado longo.
A dois meses do aniversário de nove décadas, comemorado em 24 de maio, a entidade mostrou a quem passava pelo estande do Sistema Farsul na 18ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, a importância de sua atuação política em benefício do produtor rural. Estavam aos olhos de milhares de visitantes os registros do 1º Congresso Rural no Teatro São Pedro, que marcou a criação da entidade, em 1927; o Caminhonaço de 1999, que cobrou a renegociação das dívidas do setor agrícola, em Brasília; a cavalgada de 56 dias e 1,8 mil quilômetros até a capital federal em 2001, mais uma vez em protesto. Entre outros tantos momentos memoráveis e capitaneados pela Federação.
Há algo em comum em todas essas histórias: os seus protagonistas, enquanto preparavam e executavam essas ações, sabiam o que elas representavam. Quando assinaram os documentos que deram início à entidade representativa ou quando protestaram às portas do governo federal, esse sentimento de que estavam participando ativamente da história do agronegócio, ajudando a construí-la, já existia. Basta perguntar a um dos cavaleiros que encararam o desafio de viajar metade do país para chamar atenção das autoridades aos problemas que os atingiam diariamente - e que os governantes, em seus escritórios, desconheciam ou fingiam não conhecer.
Pois é essa a sensação que a Federação demonstra quando defende hoje o uso de tecnologia, o melhoramento genético, a criação de um seguro rural adequado ao porte da agricultura brasileira e que cubra também a renda dos produtores, uma logística eficiente baseada na integração entre os modais rodoviários, ferroviários e hidroviários. É visível que essas discussões um dia serão retratadas e incluídas em um resgate histórico honesto, que se proponha a apresentar as passagens mais importantes da história do setor que devolve todo o investimento que recebe à economia brasileira.
Mais recentemente, o sentimento voltou com a mobilização de agricultores e lideranças de todos os municípios nas oficinas participativas do Zoneamento Ecológico-Econômico do Estado (ZEE-RS). É mais um momento decisivo em que a Farsul não se mostra - como jamais se mostrará - omissa. Instantes em que é possível ver a história se desenhar diante dos olhos. A voz do campo é fundamental.
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