Nº 415 - ANO 32 - ABRIL DE 2018
 
Estudo orienta plantio do trigo na safra 2018
 
O Sistema Farsul e a Fundação Pró-Sementes apresentaram, em março, os resultados do Ensaio de Cultivares em Rede (ECR) de Trigo relativos à safra 2017. O estudo avaliou as 36 variedades de sementes de maior área de plantio no Estado e lançamentos, em sete regiões diferentes. O objetivo é orientar os produtores gaúchos sobre quais os materiais mais adaptados para a sua localidade, colaborando para melhores resultados financeiros no próximo ciclo. Os dados completos estão disponíveis no site da fundação ou em formato impresso a ser distribuído aos sindicatos rurais e nas principais feiras agropecuárias gaúchas.
O impacto da escolha da semente para determinado clima e condição de solo chega até 36 sacos por hectare, destaca a gerente de pesquisa e desenvolvimento da Pró-Sementes, Kassiana Kehl. Foi essa a diferença encontrada entre a cultivar de ciclo médio e tardio com melhor e pior rendimento em Vacaria, na 2ª época de semeadura. Em termos financeiros, a diferença é de R$ 1.080 por hectare, considerando cotação de R$ 30 para o saco de 60 quilos do produto.
Os ensaios ainda foram conduzidos em Passo Fundo, Cruz Alta, São Gabriel, São Luiz Gonzaga, Santo Augusto e Cachoeira do Sul, em até duas épocas de semeadura, dividindo as variedades de ciclos precoce ou médio/tardio. Além do rendimento em quilos por hectare, a publicação traz informações de altura da planta, acamamento, dias de espigamento e maturação, percentual de rendimento sobre a média da região e resultado médio nas duas safras mais recentes. Ao todo, foram implantadas 1.340 parcelas para a avaliação de 36 cultivares de trigo de cinco empresas obtentoras - Biotrigo, Coodetec, Embrapa, OR Sementes e Limagrain. Também são indicadas as classes (básico, pão e melhorador) e os ciclos (precoce e médio/tardio).
A recomendação é que os agricultores analisem não apenas o último estudo para definir qual semente usar na próxima safra, mas que levem em conta pelo menos três ciclos diferentes. O ECR é executado há dez safras, sempre com patrocínio do Sistema Farsul. “É uma ferramenta fantástica para a tomada de decisão, em benefício do produtor. A simples escolha da variedade errada pode dar prejuízo, assim como o inverso também é verdadeiro”, afirma o presidente da Comissão do Trigo da Farsul, Hamilton Jardim.
A análise independente da Fundação Pró-Sementes ainda seria uma ferramenta para convencer o produtor a “olhar o trigo como sistema de produção”, nas palavras de Jardim, em referência à rotação de culturas para conservação do solo. O cenário de desestímulo com o cereal, resultado de consecutivas safras frustradas e remuneração abaixo do custo, faz com que a área de plantio do trigo represente apenas 9% da área total semeada com soja, milho e arroz no Estado.
O mesmo aspecto foi ressaltado pelo presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira. “O trigo é uma cultura altamente importante no binômio inverno/verão, pela rotação de culturas e formação de palhada para o plantio direto. Vamos atrás de políticas de Estado para viabilizar essa atividade”, enfatiza. Presente no encontro, o diretor técnico e administrativo da Pró-Sementes, Alexandre Levien, destacou a importância das informações para agricultores e técnicos e a sequência do trabalho em uma década.

Resultados
O ensaio de cultivares enfrentou condições ruins de desenvolvimento, registradas em todo o Estado na safra passada. “Foi um dos piores anos para o trigo”, resumiu Kassiana. Houve excesso de chuva no momento da semeadura; temperaturas amenas em durante a maior parte do inverno; e novamente umidade nas fases de florescimento e colheita.
A região que apresentou os melhores resultados em termos de produtividade foi Vacaria, local de maior altitude e que tende a ter as temperaturas mais baixas do ensaio. O pico aconteceu na 2ª época de semeadura das variedades de ciclo médio/tardio, quando foram colhidos 6.634 quilos por hectare. É importante lembrar que o estudo mostra o potencial das sementes nas respectivas condições de safra - ou seja, em nível comercial, o resultado tende a ser menos expressivo.
A campeã de rendimento no ECR foi a cultivar de ciclo médio ORS 1405, com 130 sacos por hectare em Vacaria, 2ª época. Entre as cultivares precoces, destaque para a semente de lançamento CD 1303, que alcançou o topo de produtividade em três dos quatro locais analisados.
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