Colunista Online
 
OPINIÃO
Discurso de Posse do Presidente da Farsul - Carlos Sperotto
O Sistema FARSUL, SENAR e CASA RURAL sente-se gratificado pela honrosa presença dos ilustres convidados neste dia que assinala a posse da diretoria da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul. Entidade fundada há 79 anos e cuja existência pelo passado e atuante presença – já faz parte da história rio-grandense.

Com a visibilidade e convicção da responsabilidade ora assumida, envidaremos o máximo de nossos esforços para atingir com sucesso o programa de trabalho. Trabalho este que ultrapassa os limites da porteira, que não admite aprendizes nem aventuras de pregação inócua.

A nossa Federação – graças ao trabalho dos nossos antecessores, reafirmado a cada gestão – tem-se destacado pela seriedade e credibilidade junto aos segmentos representativos da sociedade rio-grandense, brasileira e internacional. Missões diplomáticas e Entidades e Organismos estrangeiros incluem rotineiramente visitas à nossa sede para intercâmbio de informações ou parcerias em projetos e programas envolvendo o Setor Primeiro da Economia.

É uma Casa dinâmica, sempre de portas abertas a quem quiser contribuir. Nela transitam, afora os produtores rurais e do agronegócio, universitários, cientistas, parlamentares, prefeitos, entidades de trabalhadores e empregadores, advogados, biólogos, professores, magistrados, promotores, jornalistas, veterinários, agrônomos, Ministros e até Presidentes da República. Trabalha com mais de 25 Comissões Técnicas não remuneradas. E no prédio da Casa Rural abriga 28 Associações de Criadores. Esta é a nossa Farsul que nesta gestão, além de priorizar RENDA AO PRODUTOR está engajada, através do SENAR na profissionalização do nosso homem do Campo. Acredita que a educação é a solução reclamada para que as pessoas cresçam, alcancem sua independência financeira e tornem-se cidadãos, sem os favores do populismo. Ajudem-nos nesta missão!


Senhoras e Senhores

A espécie humana cresce em progressão geométrica.
Isso assume relevância na função essencial da agricultura que é a de garantir a oferta de alimentos para esse contingente de pessoas.
Prover alimentos com segurança alimentar é a mais nobre função!

É o Homem do Campo que garante os alimentos e os produtos sem os quais seria impossível a sobrevivência!

Por isso, a prioridade para o Campo não é apenas questão política ou de justiça, mas antes “questão estratégica da qual as Nações desenvolvidas não se descuidam”.

Porto Alegre, recentemente, foi sede de um encontro internacional às expensas do contribuinte brasileiro, que, aliás nada acrescentou no tema em debate. Poderíamos com 10 por cento da despesa gasta ter trazido ao Rio Grande, cientistas e as maiores autoridades do mundo para debater a Gripe Aviária ou a Febre Aftosa, apenas para exemplificar. Lamentável equívoco da pasta agrária... ou a FAO foi induzida a erro?
Como decorrência – tivemos a invasão ( pela quarta vez ) da empresa rural Coqueiros e o assalto predatório à Aracruz Celulose!

Garantir a agricultura, portanto, é garantir alimentos e com eles a nossa própria vida!

Esse é o nosso trabalho! É a nossa grande missão. É o que sabemos fazer com vocação e idealismo!

É uma atividade econômica significativa na criação de postos de trabalho, na geração de renda, na distribuição de riquezas para o Brasil – mas que nos últimos tempos anda tão mal-tratada. E não se atribua culpa apenas ao São Pedro. Aqui na terra identificamos outros que “não são santos” a menosprezarem a atividade! Atividade esta que dá sustentação à economia brasileira!

Hoje, na Farsul, houve duas importantes reuniões de trabalho. A da Comissão Nacional de Crédito Rural e de Cereais, Fibras e Oleaginosas. Estiveram conosco os companheiros José Ramos Torres de Melo, presidente da Federação da Agricultura do Ceará e Macel Caixeta (Goiás), Renato Simplício (DF), João Luiz Biscaia (Paraná), Roberto Simões (Minas Gerais)
. Na pauta o endividamento agrícola, que nos impacta, que nos tira competitividade, a partir de cálculos irreais e juros extorsivos. De registrar, apenas para ilustrar, que a revista O CRUZEIRO, de 9 de abril de 1956, noticiava, Secretário Odacir: “Mister Benson contra os agricultores quis aumentar os juros dos empréstimos oficiais e bancários em 1%. Houve protesto. Resultado: ainda que pareça paradoxal foram os banqueiros e representantes de outras instituições financeiras de Washington que defenderam os interesses dos agricultores e não aqueles que tinham a obrigação de defendê-los. O aumento não vingou. O fato ocorreu nos Estados Unidos há meio século.

Nestas plagas não há política agrícola para garantir renda ao Produtor. O Produtor norte-americano tem uma garantia muito boa de produção, ao contrário do Brasil, onde os preços mínimos ficam abaixo dos custos de produção.



Aos estimados Companheiros de Diretoria

O convívio foi gratificante. Somamos forças para o alcance de nossas metas. Permanecemos unidos, nada obstante as provações de momentos difíceis. Nosso demorado agradecimento pela colaboração. Valeu a pena!

Aos queridos Parceiros hoje empossados

Neste momento difícil e delicado por que passa o País, vivendo essa crise moral e ética a fragilizar as Instituições, o horizonte parece nebuloso e sem esperança, o que evidencia a necessidade – mais do que nunca – de estarmos alertas e prontos para assumir posições e tomar decisões!

De lembrar, a propósito, o que asseverou o professor Décio Freitas, na Comédia Brasileira: “Nas sociedades democráticas a Constituição é o Estatuto do Poder, mas em alguns países americanos... o Poder real vive fora do Estatuto”. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Vivemos cenários das crises de paradigma e das referências. Mas temos fé e esperança de dias melhores. Como cidadãos – impõe-nos invocar nesta hora solene – a figura expoente do Dr. Paulo Brossard cuja biografia o Brasil conhece. Como Produtor Rural acompanha a trajetória desta Casa há mais de 50 anos e continua formando opinião em prol do Setor nos artigos publicados. Como Ministro da Justiça foi exatamente o que pretendia ser: “uma alma aberta ao ideal, à benignidade dos sentimentos, à admiração pelas superioridades, sem esquecer que uma Nação se faz com historiadores que zelam pelo passado, com Políticos que cuidam do presente, e com poetas que sonham com o futuro”.

Por fim, como motivação, a exemplo de Batista Luzardo, o último Caudilho: “Não houve desafio que não aceitasse. Se errei foi por ação. Nunca por omissão!”
Queridos Convidados
Agradecemos pela honrosa presença. A Casa é de vocês. A mesa está posta. Sirvam-se. Sejam todos bem-vindos!

Muito obrigado!


Carlos Sperotto
Presidente da Farsul
22/03/2006
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OPINIÃO
Interpretando Números: O Futuro do Gado de Corte
Fazer estatística é algo que não é muito típico da cultura do brasileiro, de uma forma geral, e do gaúcho, em particular. O gaúcho, historicamente, sempre foi mais atraído pela retórica, sendo pouco afeto à fria praticidade dos números. Talvez por isso mesmo a pecuária gaúcha esteja ainda tão longe do profissionalismo empresarial que faz toda a diferença neste mundo globalizado de nossos dias. Os mais experientes administradores ensinam que a distância entre algo planejado e algo improvisado é a de um número, e que aquilo que não pode ser medido em números, jamais poderá ser gerenciado. Em outras palavras, no mundo dos negócios, aquilo que não está quantificado, não existe.
É justamente por isso que a Farsul precisou de muita coragem para encarar de frente esta cultura “anti-estatística” que nós, produtores gaúchos, muitas vezes temos, e procurar parceiros como o Sebrae e Senar para a realização de um grandioso e importantíssimo trabalho, cujo resultado final está agora sendo conhecido dos pecuaristas gaúchos: o Diagnóstico da Bovinocultura de Corte do Rio Grande do Sul.
Este diagnóstico constitui-se de um relevante e dedicado trabalho de pesquisa de campo, com os mais modernos instrumentos acadêmicos, feito para traçar a real conjuntura da bovinocultura de corte gaúcha, em números e dados. Com estes instrumentos nas mãos, munidos das reais informações sobre a dimensão dos problemas e das vantagens da atividade, a Farsul e seus parceiros terão condições de promover uma ampla organização de toda a cadeia produtiva da bovinocultura de corte, de forma profissional e competente, deixando de lado o “achismo” e o improviso, costumes tão nossos, que tem nos trazido tanto atraso em relação a outros Estados competidores.
Alguns dos dados que o Rio Grande está conhecendo, apontam para uma imensa maioria de produtores utilizando manejo inadequado, produzindo resultados deprimentes, sem uma concepção empresarial de suas propriedades. Para 51,9% dos produtores gaúchos, a motivação econômica não é preponderante para o exercício da atividade. Quem não busca lucratividade nos seus negócios, não terá outro resultado senão o prejuízo. Por conta disto, a lucratividade média da atividade é de apenas 0,73% sobre o capital, um percentual ridículo, menor do que a simples aplicação em uma caderneta de poupança que atualmente rende 8,8% em 12 meses. Apenas 51,6% vacinam contra brucelose, e apenas 9,8% do rebanho estadual é constituído de raças puras, o que resulta um produto despadronizado, incapaz de fazer frente aos cada vez mais exigentes mercados consumidores.
Algumas alternativas tivemos o privilégio de propor para o enfrentamento desta realidade, como integrante da Comissão de Pecuária de Corte da Farsul: unificação da carga tributária em todos os Estados da Federação, informatização e fomento às inspetorias veterinárias, e a criação de uma lei de responsabilidade sanitária para os prefeitos, fomentar a Inspeção Federal de carnes nas industrias com Inspeção municipal e estadual; visando a valorização do produto nos mercados nacional e internacional.
Mas estes caminhos só puderam ser propostos devido à coragem da Farsul em empreender este vigoroso trabalho. Esperamos que seus resultados possam ser realmente aprofundados entre os pecuaristas, para que realmente assimilemos as lições deste importante estudo.


TARSO TEIXEIRA
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
CPF 306 586 830 -04 / CI 101 394 804 -5
Rua Deocleciano Azambuja 136, São Gabriel-RS - CEP 97300-000
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OPINIÃO
Discurso do Presidente da Farsul
Discurso proferido pelo médico veterinário Carlos Rivaci Sperotto, presidente da Federação da Agricultura do RS – Farsul , na inauguração oficial da Expointer/2005, 2.9.2005


Senhor Governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto,
Senhor Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, representante do Excelentíssimo Sr. Presidente da República,
Senhora Prefeita do Município de Esteio, Sandra Beatriz Silveira,
Senhoras e Senhores
A singeleza da cerimônia induz, de início, falar com o entusiasmo de quem ama o campo. Saudar com demorada homenagem àqueles que, com vocação e encantamento, trabalham e trabalham - para produzir as riquezas que o Brasil necessita.
São esses Homens e Mulheres, Embaixador Eduardo dos Santos - que contribuem decisivamente para o progresso e o bem-estar da nossa gente, na produção de alimentos de excelência, com o rigor da exigência dos mercados importadores. Ao saudá-los, cumprimento, também, um – a - um - os dirigentes dos Sindicatos Rurais do Sistema Farsul, da Fetag, Associações de Criadores, Federações Empresariais, Delegações estrangeiras, Membros dos Poderes Executivo, Legislativo , Judiciário, Ministério Público, Imprensa, Empreendedores do agronegócio e demais Autoridades aqui presentes ou representadas. Aqui estão o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Antonio Ernesto de Salvo, e os ilustres Companheiros das Federações da Agricultura do Ceará, José Ramos Torres de Melo Filho; Paraíba, Mário Borba; Rio Grande do Norte, Leônidas Ferreira de Paula; Alagoas, Álvaro Almeida ; Sergipe, Eduardo Sobral; Maranhão, José Hilton Coelho de Sousa; Pará, Carlos Fernandes Xavier; João Sampaio Filho – Presidente da Sociedade Rural Brasileira; Martin Rapetti – da Confederação Rural Argentina; Luciano Miguens – Presidente da Sociedade Rural Argentina; Roberto Symonds – da Associação Rural Uruguai; Carmelo Capozzoli – da Federação Rural Uruguai; Alberto Soljancic, Presidente da Associação Rural do Paraguai e Rui Prado – da Federação do Mato Grosso e Aprasoja
Falo, governador Germano Rigotto, com a convicção de que a vigésima-oitava edição da EXPOINTER haverá de marcar época, pois será lembrada como a Feira da resistência, da demonstração de coragem dos produtores gaúchos - rumo à superação dos desafios !
Hoje seria um dia, o mais adequado deles, para festejarmos. Porque festa na plenitude, é dia de dar demonstrações de alegrias, de regozijo, de compartilhar resultados pelo que de melhor apresentamos aos nossos públicos: animais da melhor genética, produtos de primeira linhagem, máquinas e implementos agrícolas da última geração; momento de cumprimentar, com o mais sincero dos abraços, – o capataz, o tratador, o veterinário, o agrônomo, o empreendedor – todos são trabalhadores, merecedores do destaque. Mas a Expointer é o palco para os grandes negócios; é o período tão aguardado em que o campo se muda para a cidade. São dias de intenso congraçamento, de afirmação e da valorização do produto primeiro da economia brasileira. É aqui neste Parque nos diferentes e agradáveis ambientes - que trocamos informações, num intercâmbio de experiências, vivenciadas desde a roda do chimarrão, como nas reuniões, seminários, cursos e palestras. A Feira nos dá visibilidade, pela reflexão, em voz alta que oportuniza – na discussão de temas, alguns candentes, do interesse coletivo.
Não esqueceremos tão cedo - a estiagem que assolou os 448 municípios do Rio Grande, desarrumou a economia ocasionando prejuízos incalculáveis ao produtor e aos demais setores da economia, público e privado. Como decorrência experimentamos dificuldades, as piores, com questões não resolvidas. Propugnamos pela busca de soluções a impasses que não demos causa, e estamos aguardando até hoje as providências que não chegaram!
O agronegócio tem sustentado a economia brasileira, traz as divisas que o Brasil precisa, é decisiva na balança de pagamentos. São créditos ao Setor, lá fora exaustivamente invocados pelas instâncias do Governo Federal, quando é conveniente o destaque. O elogio é só prática de discurso, ante o tratamento dispensado ao Setor, das políticas mal-formuladas, ao exagero do ideológico - o que tem-nos levado ao caos!
Os cenários de hoje – de clareza solar – mostram que operamos no “vermelho”- os Produtores Rurais estão pagando para trabalhar! É só cotejar custo de produção e preços! Basta contabilizar o produto da safra!. O arroz, o leite, o trigo, pelas importações predatórias – são exemplos da perda da competitividade e do poder aquisitivo, levando-nos a reduzir áreas de plantio. Sem falar na pecuária e no pecuarista, na tributação excessiva, no câmbio desfavorável, nos empecilhos burocráticos do crédito rural. Convive-se, ainda, com as investidas prepotentes do INCRA. Não respeitou nem mesmo a seca. Ora querendo alterar índices de produtividade na agropecuária, ora insistindo em vistorias de empresas invadidas ! É preciso que alguém diga ao seu gestor – que o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL já decidiu que não pode! Nós já dissemos sob protocolo!
Portanto, devem cessar as vistorias inócuas!

“ ...o esbulho, devidamente demonstrado, ocorreu de forma violenta, com uso de arma de fogo, em ação organizada, com seus integrantes usando toucas tipo ninja ‘ (Sérgio Spadoni, Juiz de Direito, Santana do Livramento (RS) em 21/7/05 – trecho de decisão em ação de reintegração de posse).
“...a fazenda que é trabalhada com ardor foi assaltada sete vezes nos últimos dez anos (“trecho de carta de um produtor, que recebi no dia 24 de agosto de 2005)

Meus caros amigos deste seleto Palanque:
Imaginem-se lá no campo, na madrugada - em tais situações, no lugar do proprietário, familiares e empregados. Como defender-nos e defender a empresa rural no caso de esbulho do que trata o § 1º do art. 1210 do Código Civil? Vamos repelir a violência com vara de marmelo? Aguardar o atendimento policial? A resposta só pode ser Não ! Não se pode legislar divorciado da realidade fática! Queremos é paz no campo e na cidade para continuarmos trabalhando. A garantia da segurança é dever do Estado e tarefa do Governo! A não ser que extirpemos do ordenamento jurídico o instituto da legítima defesa! Temas recorrentes foram levados a Brasília, no Tratoraço que reuniu vinte e cinco mil, trezentos e cinqüenta e dois produtores rurais. De novo, audiências e mais audiências, muita promessa, alguns ensaios, mas nada que, efetivamente, enfrentasse a pauta e contemplasse os pleitos! Por dever de lealdade, registro e agradeço a participação do Governador Rigotto e do Secretário Odacir Klein, aliados de todas as horas.
A dita voz solitária de ontem, curiosamente, ressurge em coro trazendo a lume questões inadiáveis mesmo num dia solene como o de hoje, nem por isso menos respeitoso.
Estamos imersos numa crise que haveremos de superar. A nossa é econômica. Diferentemente da outra. Refiro-me àquela que o mestre Aurélio chamou de “um estado de dúvidas e incertezas, fase difícil, grave, na evolução das coisas e dos fatos”. A da falta de éti
ca, da perda das referências!
Financiamento para a agropecuária
“Distribuir dinheiro é algo fácil e quase todos os homens têm este poder. Porém, decidir a quem dar, quanto, quando, para que objetivo e como, não está dentro do poder de muitos e nem tampouco é tarefa fácil ! “
Não se trata de mera provocação . Explico: a citação é de Aristósteles. Refiro-me, caro amigo ministro Roberto Rodrigues – aos dinheiros bem-havidos do crédito rural - que tardam a chegar ao produtor . Muitas vezes chegam depois de a safra iniciada e insuficientes para atender as demandas. Sem falar no custo a juros incompatíveis com a capacidade do mutuário. “Ora, um dos meios de baratear e produção agrícola consiste, precisamente, em diminuir o ônus do dinheiro...Mas, se por infelicidade não puderem colher o que plantaram porque a geada matou ou a seca torrou as plantações, maiores razões haverá, então, para socorrê-los e ampará-los, o que, evidentemente, não poderiam esperar do atual sistema de crédito, que visa o lucro e não a assistência..”.É o que preconizava, nos idos de l947 - o saudoso Alberto Pasqualini.
Em 1990 o governo não providenciou recursos nem para investimento, nem para custeio da safra agrícola e o resultado disso foi que em 1991 o Brasil precisou, vergonhosamente, importar alimentos para completar o abastecimento interno. Gastou 2 bilhões de dólares, quando com menos da metade desses recursos investidos na agricultura o Brasil poderia não só abastecer tranqüilamente o seu mercado interno, mas produzir excedentes para exportar. Então tirando o investimento do ano anterior o Brasil poderia ter exportado mais de um bilhão de dólares no ano de 1991.
Esse quadro historicamente se repete. Penaliza o Produtor que vai ao banco e verifica que não está lá o recurso para o financiamento. O que existe é muita mídia paga!
- Não há dinheiro para a agricultura. Não é dinheiro para dar para a agricultura, é dinheiro para emprestar, dinheiro que voltará com juros e correção. Há muita gente que não entende! Dizem que estão cansados de dar dinheiro para essa gente! Dar dinheiro uma ova! Emprestar e receber com juros e correção monetária! ( o desabafo é do eminente Senador gaúcho, dr. Pedro Simon, que encontrei na sua coletânea de Discursos publicada em 1992 e que retrata cenários que, lamentavelmente, permanecem atuais ).
Com razão Aristósteles. Enquanto falta enquanto falta dinheiro para comprar vagas para os alunos da URCAMP; enquanto falta para comprar alimentos, - é farto e disponibilizado, sem burocracia, nos cartões de crédito corporativos da Côrte, sem esquecer os milhões – oferta dos contribuintes para homenagear Anistiados “políticos. Impõe-se contabilizar – isto sim – é o crédito do respeito popular, sem os favores do populismo!
“Que a esperança e o otimismo tenham espaço por aqui, e o Brasil seja mesmo uma fênix, como disse Lya Luft – que há de renascer mais forte desta fogueira das vergonhas. Nós, como a festejada escritora , esperamos que sim!
Educação no campo
O Doutor Assis Brasil foi um homem dedicado à vida do campo. Tinha a incorrigível mania de amar o campo, viver nele trabalhando, sem que isso implicasse divorciar-se dos livros, do ensino e da educação. Criticado por alguns – continuou a pregação com obstinada convicção.
Sonhava e lutou pela criação de escolas agrícolas – capazes de seduzir e modificar a consciência de inferioridade então reinante, que, à época, considerava a lida campeira um ofício menos nobre. Surgiu, então, o Liceu Rio-grandense de Agricultura, um Centro de irradiação de modernas técnicas agrícolas, destinada aos filhos dos estancieiros e dos agricultores. O sentimento de inferioridade foi extirpado, e o acesso ao ensino acadêmico não significava renúncia ao trabalho do campo. Falar em ensino no campo sem invocar a figura do eminente Joaquim Francisco de Assis Brasil no Parque que lhe homenageia, seria uma inescusável deselegância.
Como presidente do Conselho Administrativo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR divido com a Farsul, Fetag e demais companheiros do Conselho, – os êxitos alcançados em 2004. O Senar atendeu às demandas de formação profissional e promoção social dos trabalhadores e produtores. Investiu no conhecimento, fiirmou convênios de cooperação, fortaleceu a rede de relacionamentos com parceiros, a exemplo da UFRGS, Senac e outros tantos - identificados pelo mesmo propósito. Acompanhou a inserção dos egressos no mercado de trabalho, oportunizando-lhes a participação em programas, palestras. Realizou mais de 2000 cursos com a responsabilidade de que ”preparar recursos humanos para o setor primeiro da economia é missão que não permite aventuras. Exige comprometimento e engajamento de todos no oferecimento de respostas rápidas e inovadoras. A educação profissional – exige mais do que mão-de-obra – implica prática de cidadania, formação, informação e cérebros com massa crítica aptos a construir o progresso da Nação, com vida digna. Ensinar a aprender e aprender a ensinar é tarefa de todos. Com esse foco alfabetizamos 1200 pessoas e o Programa AGRINHO envolveu 540 000 alunos de escolas públicas. No programa Juntos para Competir – com a Farsul e Sebrae - consolidou os Comitês Regionais como fóruns legítimos de discussão e encaminhamento de ações, em diversas cadeias produtivas. Parabéns Superintendente Gilmar Tietbohl e seu qualificado corpo de técnicos e instrutores.
Homem do campo, veterinário - acalento a esperança de um dia – falar num evento desta dimensão - apenas para destacar e repartir as alegrias da festa !
No dia em que souber acabar um discurso, serei um orador. E só é orador – no dizer de Lacerda “ aquele que, acabando, tem a certeza de que disse tudo o que era preciso, como era preciso, quando era preciso!
Com as escusas de estilo, agradeço pela generosa paciência.
Muito obrigado!
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OPINIÃO
TRATORAÇO, o Alerta do Campo
- 29 de junho de 2005 ficou marcado na história da classe produtora rural do País. Foi o dia em que a nossa gente - acampada na capital federal e com a identidade em punho - mostrou ao Brasil a força e a importância de quem produz alimentos, gera renda, empregos e tributos. Com a autoridade de quem trabalha, (mas que paga para trabalhar) - “frente a frente, olho-no-olho” cobrou do Presidente da República e dos ministros de Estado, através das entidades representativas - soluções imediatas ante o descaso com a agropecuária, apesar de sustentar a Economia brasileira. Agradecemos à mídia pela repercussão na opinião pública brasileira. As milhares de manifestações de solidariedade comprovam que a sociedade urbana já nos credita o valor merecido. Agradecemos às lideranças da Indústria, do Comércio, dos Serviços, aos Parlamentares, aos Prefeitos, e demais segmentos organizados pelo apoio. Por último, o primeiro dos agradecimentos: ao nosso Produtor (pequeno, médio ou grande) que abandonou a lida do campo e juntou-se na peregrinação até Brasília, vencendo o cansaço das horas mal-dormidas, dominado pelo sentimento de que unidos seremos fortes para sensibilizar os gestores da Nação. Se você, Produtor - que não foi mas conhece um Produtor rural que participou do Tratoraço – não hesite em cumprimentá-lo, pois ambos são os responsáveis pelo prato-nosso de cada dia e com a cadeia produtiva do agronegócio trazem as divisas que tiram o Brasil do vermelho. Muito obrigado aos Sindicatos Rurais, às Federações e Associações pelo decisivo engajamento nesta luta cujo resultado haverá de reverter em prol do bem-estar do povo brasileiro.

Carlos Rivaci Sperotto, presidente
Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul - Farsul
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OPINIÃO
Uma jovem senhora na luta
E o tempo foi passando, passando, e quando se vê, ela está com 78 anos. Uma jovem senhora, cheia de filhas por este Rio Grande afora, mas que ainda tem o viço da juventude e o vigor bravio dos seus ancentrais. Aliás, é justamente a idade a demonstração de sua força, porque está há quase oito décadas na ativa, com a mesma disposição do princípio: congregar os seus, defendê-los, brigar por eles, se preciso com fúria, com esmero, mas sem jamais perder a altivez.
Foi nos idos de 1927 que nasceu. Mas antes de seu nascimento, ela foi sonhada, ansiosamente esperada, por homens que já começavam a fazer deste Rio Grande o “celeiro do Brasil”. Foi preconizada pelo imortal gabrielense Joaquim Francisco de Assis Brasil, embaixador em Portugal, em 1895, quando fundou a Sociedade Brasileira para Animação da Agricultura. Foi esboçada pelos pioneiros da Sociedade Agrícola Pastoril, em Pelotas, em 1899.
Mas esta gestação foi culminar somente em 26 de maio de 1927, em pleno Theatro São Pedro. Nascida de um anseio de unidade, permanece, aos 78 anos, fiel ao ideal que a fez surgir: defender o produtor, lutar por seus interesses, promover os meios para seu progresso, sem a tutela do Estado.
As palavras do presidente do Estado, Borges de Medeiros, no dia de seu nascimento, constituem um verdadeiro manifesto que traduz com lealdade, ainda hoje, sua trajetória: “Senhores criadores: associai, organizai uma direção central, criai os organismos necessários à defesa de vossa indústria. Individualmente e isolados continuareis a ser fracos e impotentes, mas organizados e unidos pela solidariedade e cooperação sereis uma força invencível!”.
Esta jovem senhora atende pelo nome de Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, ou simplesmente Farsul. Construiu uma identidade de luta, e muitas grandiosas vitórias, que hoje, no meio das grandes crises da atualidade, nos servem para inspirar-nos à continuidade na luta. Porque situações ainda mais críticas foram vencidas no passado graças à sua tenacidade, e à simples existência de uma entidade forte, pujante e combativa, permanentemente ao lado do produtor, grande ou pequeno. O coração gigantesco desta jovem senhora não tem tamanho, e não conhece o temor. É por isso que ela deve ser festejada, defendida e valorizada, sendo nosso referencial de luta ainda pelos próximos cem anos...

TARSO TEIXEIRA – Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
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