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Nº 409 - ANO 31 - OUTUBRO DE 2017
 
Difícil safra de trigo começa a ser colhida no RS
 
A lavoura de trigo deste ano, definitivamente, não deu trégua ao produtor rural gaúcho. Entre maio e junho, chuvas em excesso fizeram com que ele tivesse que acelerar o plantio para não perder a janela ideal. Dias depois, foi a vez da completa ausência de precipitação - que durou mais de um mês, em algumas regiões - comprometer o desenvolvimento do cereal no campo, ao mesmo tempo que geadas davam as caras no Estado. O mês de outubro, por sua vez, que marca o início da colheita do grão, ainda trouxe granizo e ventos fortes, causando perdas e acamamento da lavoura em diversos municípios. “É uma safra complicadíssima”, avalia o presidente da Comissão do Trigo da Farsul, Hamilton Jardim.
De acordo com informativo conjuntural da Emater/RS, cerca de 4% das lavouras no Estado estavam na etapa de maturação na primeira semana de outubro, e estas apresentavam “coloração amarela pouco intensa, com espigas pequenas e baixo potencial produtivo”. Já as primeiras áreas colhidas - menos de 1%, nos cálculos da entidade - tiveram produtividade abaixo da esperada e aumento na incidência de lagartas em relação a anos anteriores, o que indicou aos triticultores a necessidade de ampliar o número de aplicações de inseticidas.
A maior parte das lavouras (60%) ainda passava, no entanto, pela fase de enchimento de grãos, confirmando a previsão de que a maior parte da produção deve ser colhida mesmo a partir da metade do mês no Estado. A Emater/RS também indicou, no informativo, que a maioria das regiões produtoras continua com previsão de que parcela significativa dos agricultores acionarão o Proagro nos próximos dias. Técnicos teriam realizado o primeiro laudo de vistoria em boa parte das lavouras e estariam aguardando a proximidade da colheita para proceder um segundo laudo, determinando com maior precisão o percentual de perdas na cultura.
A estimativa de momento da Conab é de que a safra gaúcha não ultrapasse 1,8 milhão de toneladas, o que representaria retração de 28% em relação ao ano passado, quando foram colhidas 2,5 milhões de toneladas. Também há expectativa de redução expressiva (23,7%) na produção do Paraná, estado brasileiro de maior área com o trigo, que deve gerar 2,6 milhões de toneladas do cereal em 2017, pelos números da Companhia Nacional de Abastecimento. Os paranaenses já estavam com 71% da colheita finalizada no começo do mês.
Foi em meio a esse cenário que foi aberta oficialmente a colheita da cultura no dia 30 de setembro, em Cruz Alta, em meio à programação da 14ª Feira Nacional do Trigo. Para o presidente da Fenatrigo, Airton Becker, o principal destaque da programação foram os eventos técnicos, realizados em parceria com Senar-RS, Unicruz, Cotribá e outras instituições. O Seminário do Trigo, promovido no dia 29, por exemplo, reuniu representantes de toda a cadeia produtiva gaúcha e serviu de base para um documento, entregue ao governo do Estado, que demonstra as dificuldades hoje em se manter na atividade.
As demandas pontuadas ao Piratini incluem a redução de alíquotas nas negociações de trigo interestaduais e em algumas operações estaduais tributadas; a criação de um departamento, dentro da Secretaria da Agricultura do Estado, para trabalhar na busca de novos mercados internacionais para o trigo gaúcho e acompanhar e fiscalizar as políticas públicas sobre a cultura; e a melhoria da estrutura rodoviária para escoamento da safra. O setor ainda procurou sensibilizar a União com pedidos de melhorias na logística e nas condições e linhas de financiamento de armazenagem da produção, além de cobrar agilidade na liberação de recursos para favorecer a remuneração mínima dos produtores rurais, conforme a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), e revisão dos atuais procedimentos normativos da mesma.
Para esta safra, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento reduziu em 3,6% os preços mínimos do trigo, passando de R$ 38,65 para R$ 37,26 o valor do saco de 60 quilos. Mesmo assim, seria necessário apoiar a comercialização no Rio Grande do Sul hoje, visto que a cotação média no Estado, no início do mês, era de R$ 30,38, conforme dados da Emater/RS. O número é cerca de 17% menor que no mesmo período do ano passado, quando o saco de trigo era comercializado a R$ 36,69 e, da mesma forma, não cobria a mínima remuneração. Jardim relata que o setor está antecipando o pedido de apoio ao governo federal neste ano (500 mil toneladas para o RS, principalmente em Pepro), já que os mecanismos foram tardios e pouco eficazes no ciclo anterior.
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