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Nº 409 - ANO 31 - OUTUBRO DE 2017
 
Setor arrozeiro apreensivo quanto a estoques elevados
 
O começo do plantio da safra 2017/2018 de arroz no Estado é acompanhado por apreensões no setor produtivo - a começar pela projeção de 1,5 milhão de toneladas de estoques de passagem na mão da indústria até o final do ano, segundo números da Conab. A tendência é que esse volume mantenha em baixa as cotações no Estado, atualmente em R$ 37,23 o saco de 50 quilos, conforme a Emater/RS, em plena entressafra e longe de cobrir o custo de produção para o grão, calculado em R$ 6.526 por hectare pelo Sistema Farsul. A Federação e outras entidades do setor produtivo participaram de uma série de reuniões em Brasília, no mês de setembro, pleiteando medidas da União para contornar as dificuldades logísticas que impedem que pelo menos 500 mil toneladas do cereal seja escoado para fora do país.
A comercialização da futura safra, porém, não é a única preocupação no campo. “A seletividade de crédito, a descapitalização do produtor, o afastamento entre indústria e produção em função da realidade dos números e a insensibilidade do governo federal em relação às demandas do setor tornam difícil dizer o que será a próxima safra de arroz do Estado”, afirma o presidente da Comissão do Arroz da Farsul, Francisco Schardong, que classifica a presença de estoques na casa do milhão como “um terror” para a rentabilidade do arrozeiro gaúcho.
Entre os pedidos feitos ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, esteve a ampliação, em duas horas e meia, do horário reservado à irrigação, período em que há desconto no preço da energia elétrica. Nos últimos quatro anos, a tarifa mais do que dobrou de valor. Além disso, as entidades solicitaram atuação imediata dos mecanismos de apoio à comercialização pela Conab quando as cotações de mercado estiverem abaixo do preço mínimo (R$ 36,01).
Schardong acredita ainda que será pouco eficaz a campanha de redução de área destinada ao cereal no Estado, promovida pela Federarroz, pela necessidade urgente de plantio observada em diversas propriedades, como no caso dos arrendatários, que assumem compromissos em função da área a ser plantada. “A redução de área só é viável com a migração para a soja”, aponta ele.
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