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Nº 409 - ANO 31 - OUTUBRO DE 2017
 
Editorial
 
Guardam uma preciosa lição as visitas nada despretensiosas que dirigentes das unidades gaúchas da Embrapa fizeram e ainda farão ao Sistema Farsul, a fim de descobrir como melhor ajudar a produção do Estado e discutir ações conjuntas na transmissão de conhecimento na propriedade rural. A empresa pública que, por excelência, representa a pesquisa agropecuária brasileira demonstra, nesse pequeno gesto, que pesquisa e tecnologia foram fundamentais para o Brasil figurar hoje como uma potência agrícola mundial, mas que nada disso seria possível sem educação.
Entre os milhares de visitantes da 40ª Expointer, um em especial falava no setor dessa maneira. Trata-se do secretário executivo do Senar, Daniel Carrara, convidado a discorrer sobre o que representavam os 25 anos de atuação da entidade para o agronegócio do país e o que ela planejava daqui para frente. Desatou então a defender a ideia de que é preciso “fazer coisas diferentes”, atribuindo o vanguardismo a áreas como assistência técnica, educação a distância, ensino técnico e superior, formação de jovens gestores.
Dias antes, o mesmo Carrara assinou um artigo numa revista especializada em agronegócio, abordando o assunto. Um breve trecho: “O Senar, há 25 anos, tira as inovações das prateleiras dos institutos, universidades e da Embrapa e dissemina gratuitamente no campo todo conhecimento conquistado”. E disseminar não é, aqui, uma exagerada expressão, considerando que a entidade atendeu mais de 75 milhões de pessoas em duas décadas e meia - praticamente sete vezes a população atual estimada do Rio Grande do Sul.
O progresso, evidentemente, tem seus desafios. Estimular o uso de tecnologia a grandes empresários do campo seguramente não é o mesmo do que resgatar 3 milhões de propriedades rurais que quase não geram renda por falta de formação. No dia a dia, apesar de um enorme avanço em termos de praticidade, comodidade e acesso, a educação a distância convive com taxas significativas de evasão escolar. E há jovens que optam, todos os anos, por deixar o meio rural, mesmo conscientes da importância do setor ontem, hoje e amanhã, julgando estar nas metrópoles a satisfação pessoal e profissional, entre outros exemplos. Mas, afinal, alguém duvida que as prioridades colocadas pelo Senar são esforços necessários e com potenciais altíssimos de inovação na transmissão do saber?
A distância entre o conhecimento acadêmico e o prático, portanto, deveria também ser colocada como uma das maiores ameaças ao futuro abastecimento mundial de alimentos, no qual o Brasil desempenha decisivo papel. E é por isso que entidades que sentem orgulho de construir pontes entre eles - ou, mais do que isso, literalmente erguer polos tecnológicos de apoio à pesquisa e de capacitação - devem ser estimuladas e valorizadas a cada boa notícia que vem do campo.
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