Jornal em Formato HTML
 
Nº 409 - ANO 31 - OUTUBRO DE 2017
 
Um novo ciclo - Luís Fernando Cavalheiro Pires*
 
Dizem que depois da tempestade vem a bonança. Também dizem que a vida é feita de ciclos. O Brasil, sua política, economia, e sua jovem democracia são testemunhas disso. Depois de um ciclo de episódios lamentáveis ocorridos na política, de decisões equivocadas de governo e instabilidades de mercado que formaram uma conjuntura de crise jamais vista no país, há indícios de que iremos recolocar o país nos trilhos do desenvolvimento. Explico os motivos do meu otimismo.
Inicialmente, apliquemos a tese do fundo do poço. Se ela tem algum fundamento, com certeza, já passamos por essa fase. Nos últimos anos, o Brasil passou por testes fortes, não somente para suas instituições, mas também, para os fundamentos básicos da economia. Isso me leva a crer que o futuro de médio prazo será positivo, se comparado com o passado recente.
Passamos também pelo “estelionato eleitoral” de 2014, quando o governo manteve as aparências da economia com alto custo para os cofres públicos, perdendo o cotrole da situação uma semana após a vitória nas urnas, mas estamos retomando a estabilidade e o crescimento econômico. Realizamos a Operação Lava-Jato, que expôs as feridas da política brasileira, mas estamos colocando os corruptos na cadeia. Enfrentamos os custos de um impeachment e convivemos com um governo transitório que bate recordes de reprovação, mas caminhamos para a realização de um processo eleitoral que deve acontecer dentro das regras básicas de uma democracia.
Nesse contexto, as eleições de 2018 são peça fundamental para que consigamos virar essa página negativa em nossa história. No ano que vem, os brasileiros terão condições de demonstrar o quanto aprenderam com esse processo nas urnas. Se nos últimos anos identificamos que o caixa dois das eleições gera corrupção nos governos, teremos a oportunidade de realizar eleições a custos menores. Se hoje estamos descontentes com os nossos políticos, teremos a oportunidade de promover a renovação dos quadros.
Ademais, a transparência do processo eleitoral do ano que vem e a proposta que for escolhida pelos brasileiros serão os grandes componentes da imagem que transmitiremos para o mundo. Temos que dar exemplo de civismo e mostrar que somos capazes de exercer nossas virtudes democráticas em plenitude.
E iremos conseguir. Pesquisas que vem sendo divulgadas pelos meios de comunicação demonstram que o brasileiro aprendeu muito sobre o seu papel na sociedade e sua relação com o Estado. Muitas das crenças, hábitos e atitudes que predominavam no passado foram superadas pela realidade dos fatos.
Essas pesquisas mostram que, na média, o cidadão está muito mais informado. Sabe o quanto paga de impostos e exige o retorno dos governos na forma de serviços públicos de qualidade e investimentos em infraestrutura. O eleitor de 2018 não quer mais ganhar uma bolsa, um vale. Quer ter condições de trilhar o seu próprio caminho, estudando e trabalhando. O cidadão que emerge da crise é muito mais responsável. Acredita no mérito, no empreendedorismo. A sociedade finalmente percebeu que o inimigo não é aquele que produz e gera empregos, mas sim o Estado ineficiente e perdulário.
Portanto, em que pese ainda estarmos sofrendo os efeitos de uma crise que irá ficar em nossa história, tivemos um período de grande aprendizado comum a todas as grandes nações que chegaram ao desenvolvimento sustentável. Mas esse aprendizado somente será válido se colocarmos nossos conhecimentos em prática. O Brasil ainda tem muitas tarefas em aberto, realizando grandes reformas, realizando políticas horizontais, que possa beneficiar toda a sociedade e não aquelas verticais, que beneficia apenas algum segmento ou os parceiros dos governos. Ainda precisamos enfrentar a desigualdade social, os entraves burocráticos ao desenvolvimento, o peso dos impostos e a ineficiência de sua distribuição no atual pacto federativo.
Tenho a certeza de que a experiência aliada à necessidade farão desta nação uma grande nação, e que nosso Rio Grande também irá viver tempos melhores nesse novo ciclo que se aproxima. A grande mudança passa por nossas escolhas e ações.

*Pres. da Comissão dos Jovens Empresários Rurais da Farsul
voltar