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Nº 409 - ANO 31 - OUTUBRO DE 2017
 
Área de plantio do tabaco é próxima à do ano passado
 
Com plantio praticamente concluído em todas as regiões, a lavoura de tabaco apresenta bom desenvolvimento até o momento - o que eleva a expectativa de melhores produtividades em relação ao ano passado, quando foram colhidas 735 mil toneladas na Região Sul do país, cerca de 54% apenas no Estado, em 360 mil hectares. “No Vale do Rio Pardo, 3% já começaram a colher, e as folhas estão muito bonitas”, conta o presidente da Comissão do Fumo da Farsul, Mauro Flores, que aposta na manutenção da área nesta safra. Quem plantou cedo foi beneficiado pelas temperaturas amenas no inverno, o que favoreceu rápido desenvolvimento das mudas nos viveiros, e apenas 5% das áreas na região alta do Estado ainda não haviam concluído a etapa até o final do mês de setembro, de acordo com o dirigente.
O destaque negativo, no entanto, fica por conta do temporal de 1º de outubro, que trouxe prejuízos a milhares de produtores gaúchos, entre eles os fumicultores. Mais de 6 mil lavouras, somente no Rio Grande do Sul, foram atingidas por granizo e vendavais. Os principais locais com perdas no Estado foram Santa Cruz do Sul, Candelária, Sobradinho e Venâncio Aires, de acordo com números da Afubra, com base nas notificações recebidas pelos produtores rurais. Agricultores do Paraná e de Santa Catarina também acionaram a entidade.
Ainda que o impacto individual possa ser significativo, ele não o deve ser para a safra no geral, segundo Flores, pelo fato de que a maioria das colheitas não estava em estágio avançado de desenvolvimento e, portanto, estavam menos suscetíveis à adversidade climática. Porém, a recomendação aos produtores gaúchos de tabaco é que se previnam, contratando seguro com cobertura de danos por granizo e tufão. Os fumicultores têm até 31 de outubro para inscrever suas lavouras na Afubra, com prazo de carência de sete dias a partir da entrega do pedido e postagem nos Correios. “O seguro só é caro quando o produtor não usa”, lembra o dirigente da Farsul.
Os próximos dias devem ser decisivos para mensurar a safra brasileira e gaúcha 2017/2018 de tabaco. O clima ideal são chuvas regulares e incidência zero de granizo no período. A comissão de representantes da produção ainda deve concluir, até o final de outubro, em parceria com sindicatos rurais, o levantamento do custo de produção da safra, contabilizando as despesas do produtor na colheita, terceira e última etapa do estudo. “A nossa proposta é que seja feito em conjunto com a indústria, que não teria como duvidar do valor. Mais da metade do custo é mão de obra, e ela pesa mais na hora da colheita”, explica Flores.
O acerto em relação ao custo de produção é considerado fundamental para o sucesso das negociações de preços com as empresas fumageiras, que tradicionalmente ocorrem na virada do ano. A Farsul reitera que o protocolo não representa somente acordo de valores de remuneração, mas também garantias como pagamento em até quatro dias úteis e apoio da indústria em frete e seguro de carga.
O cultivo do tabaco envolve 84 mil famílias em 274 municípios gaúchos.
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