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Nº 409 - ANO 31 - OUTUBRO DE 2017
 
Estado solicita auditoria para avaliar retirada de vacina
 
O governo do Estado anunciou, em setembro, que solicitará uma auditoria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) nos serviços de controle da febre aftosa, a exemplo do que foi feito meses atrás pelo Paraná, com processo marcado para janeiro de 2018. A decisão foi tomada, de forma unânime, a partir de reunião entre o vice-governador do Estado, José Paulo Cairoli, com o secretário da Agricultura, Ernani Polo, o superintendente regional do Mapa, Bernardo Todeschini, o presidente do Sistema Farsul, Carlos Sperotto, e representantes de outras entidades do setor produtivo gaúcho, como Fundesa, Fetag-RS, Febrac, Asgav, Sicadergs e Sips.
O assessor técnico da Farsul Luiz Alberto Pitta Pinheiro esclarece, no entanto, que concordar com o pedido de auditoria junto ao Ministério da Agricultura não é o mesmo que se mostrar favorável à antecipação da retirada da vacina contra a febre aftosa no Estado para 2019, como foi especulado a partir da notícia, dois anos antes do previsto no Plano Estratégico de Erradicação da Febre Aftosa do governo federal. Mesmo a suspensão da vacinação no rebanho gaúcho em 2021 é vista pela Federação com “ceticismo”, conforme as palavras do vice-presidente da entidade, Gedeão Pereira, ao tomar conhecimento do mesmo. Pinheiro afirma, por outro lado, que a avaliação dos representantes do Ministério pode trazer informações importantes para reforçar a sanidade do rebanho no Estado, apontando eventuais falhas e insuficiências nos procedimentos, que podem passar por medidas corretivas.
A auditoria é, de fato, a primeira etapa do processo para um estado se candidatar a zona livre da febre aftosa junto ao Ministério da Agricultura e, futuramente, à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Caso a auditoria aconteça ainda em 2018, e dependendo dos resultados dela, o Rio Grande do Sul poderia, em tese, deixar de vacinar o rebanho ano seguinte. Polo afirmou, em entrevistas, que o plano estadual é atingir todas as metas do Mapa até o ano que vem.
O Rio Grande do Sul chegou a ser reconhecido pela OIE como zona livre de febre aftosa sem vacinação no final da década de 1990, mas um surto do vírus afetou o Estado, além de Argentina e Uruguai. De 2002 para cá, ele é zona livre da doença com vacinação. O último registro da doença em território brasileiro aconteceu em abril de 2006. A suspensão da vacina é uma ação comercial, já que busca o acesso a mercados de medidas sanitárias mais rígidas ao setor de proteína animal.
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