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Nº 409 - ANO 31 - OUTUBRO DE 2017
 
Custos caem para soja e milho e sobem no arroz
 
Será mais barato investir nas lavouras de soja e de milho em 2017/2018 e, novamente, custar mais para montar a de arroz, aponta análise da assessoria econômica do Sistema Farsul, com base em dados do Cepea/Esalq da USP, no momento em que as principais culturas agrícolas de verão do Estado começam a se desenvolver no campo. A questão agora é saber se o mercado pode reagir para evitar novas quedas nas margens, a exemplo do ciclo mais recente, de “produtividade altíssima e rentabilidade baixíssima”, nas palavras do economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz.
De acordo com o estudo, a queda esperada nos custos de produção do milho é de 32%, passando de R$ 4.669 por hectare, no ciclo passado, para R$ 3.197 por hectare neste ano-safra. O alívio no bolso é puxado pelos fertilizantes, que são bastante sensíveis a oscilações da taxa de câmbio e representam em torno de 21% do chamado custo operacional total, que não leva em conta valor da terra e remuneração do capital investido. A receita projetada com a commodity, por outro lado, promete ser uma dor de cabeça: mantido o atual cenário de preços, ela encolheria quase 26%. Como resultado, o ajuste na margem bruta deve ser pequeno, de apenas R$ 108 por hectare, nem chegando perto de recuperar a queda brusca no índice no ano passado - de 61%, ou R$ 970 por hectare. Segundo a Emater/RS, o plantio do milho atingiu 37%, no início de outubro, entre os gaúchos, apresentando “boa emergência” e “desenvolvimento inicial satisfatório”.
Para a soja, que começa a tomar o campo gaúcho neste mês, o cenário é similar. A projeção é de custo de produção 19% menor em comparação com a safra anterior, caindo a R$ 2.667 por hectare - mas que nem assim é suficiente para evitar a retração de 18% na rentabilidade do agricultor gaúcho, caso as cotações permaneçam como estão hoje no momento de comercialização da safra. Seria um agravamento do que aconteceu na safra passada, lembra da Luz, quando o produtor teve queda de 23% nas margens, ou R$ 413 por hectare, em números absolutos.
O caso é inverso no arroz, que vem de sucessivas altas no custo de produção, ano após ano. Em 2017/2018, o arrozeiro gaúcho terá que gastar R$ 6.525 por hectare, cerca de 2% superior ao ano passado e 8% em comparação com o retrasado. Da Luz explica que essa cultura apresenta uso mais intenso de energia elétrica e agroquímicos, pois é irrigado e mais propenso a doenças, e que esses itens dispararam nos anos mais recentes. Com a receita em queda, assim como nos outros grãos citados, a tendência é de encolhimento nas margens. Nas cotações atuais, ele teria prejuízo de R$ 790 por hectare, mostra o estudo do Sistema Farsul. Mantendo a produtividade média da safra anterior (145 sacos por hectare), o arrozeiro precisaria vender o saco a R$ 45 apenas para empatar com o custo.
Para o milho, o preço de nivelamento é de R$ 18, enquanto que, para a soja, o valor sobe para R$ 41. As produtividades médias consideradas no cálculo foram 180 sacos e 65 sacos por hectare, respectivamente.
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