Jornal em Formato HTML
 
Nº 411 - ANO 31 - DEZEMBRO DE 2017
 
As inovações e o sucesso do agro brasileiro - Taylor Favero Guedes*
 
O agronegócio brasileiro é considerado um dos mais competitivos do mundo. Em 26 anos (de 1990 a 2016), a área plantada brasileira de grãos cresceu 52%, enquanto a produtividade média das culturas aumentou em 120%.¹ No Rio Grande do Sul observou-se uma evolução no mesmo sentido, com 15% de ampliação na área plantada de grãos e 115% de crescimento da produtividade média das culturas. A produção pecuária em geral (bovinocultura de corte, avicultura, suinocultura, etc.), em função de avanços tecnológicos, especialmente na genética, na alimentação, nas técnicas de manejo, na saúde animal e nos sistemas de produção, da mesma forma apresentou ganhos de produtividade no mesmo período.
O PIB do agronegócio (considerados os segmentos à montante e à jusante da produção) representa 23,57% do PIB nacional (US$ 465,41 bilhões), enquanto que no Rio Grande do Sul a participação é ainda mais relevante: 39,51% do PIB estadual (US$ 56,51 bilhões). A participação do setor também é relevante nas exportações, representando 45,85% (US$ 84,93 bilhões) das exportações nacionais e 66,57% (US$ 11,03 bilhões) das exportações gaúchas.² O agronegócio é de extrema relevância para a economia brasileira e para a gaúcha, pois o seu bom resultado reflete positivamente em outros setores, em especial em tempos de crise econômica.
A inovação tem um papel fundamental quando se trata de produção de alimentos. O aumento da produtividade na agricultura e pecuária mundial foi notório no período após a Segunda Guerra Mundial. Após o conflito, com a escassez de alimentos em função do naufrágio dos navios mercantes e a destruição das propriedades rurais em diversas nações, os países aliados investiram no fomento de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de novos métodos e tecnologias para a melhoria da produtividade da agropecuária. Foram criadas novas práticas de manejo, melhorias em máquinas agrícolas e técnicas de melhoramento genético. No período que compreende as décadas de 1950 a 1970 houve uma nova onda de inovação no agronegócio, chamada de “Revolução Verde”, com a utilização de tecnologias como sementes melhoradas (posteriormente com o desenvolvimento de organismos geneticamente modificados resistentes a herbicidas – sementes transgênicas), fertilizantes, defensivos químicos e novos equipamentos de mecanização agrícola. No Brasil, em 1972, foi criada a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cujas pesquisas contribuíram para a ampliação da fronteira agrícola e deram suporte às políticas públicas brasileiras. A “Revolução Verde” transformou a produção agrícola mundial e elevou a produção de alimentos.
A nova “Revolução Agrícola” está baseada no aumento de produtividade através inovações disruptivas desenvolvidas pelas AG Tech (startups do agro) que, diretamente ou através de parcerias estabelecidas com empresas tradicionais, vêm utilizando os recursos de Big Data, de ferramentas de internet das coisas (IoT), do Cloud Computing, da mobilidade dos smartphones e de equipamentos como os drones para a criação de sistemas de gestão com processos automatizados para melhorar a precisão das ações preventivas e corretivas, além de minimizar desperdícios na produção agrícola e pecuária.
A convergência nos últimos anos entre a disseminação do conceito da agricultura de precisão e a incorporação da tecnologia da informação (TI) vem resultando num grande aumento de desempenho no campo e obviamente há muito ainda por vir. As máquinas e os equipamentos utilizados na agricultura e na pecuária associados a essas novas tecnologias auxiliam os produtores rurais a anteciparem cenários e a tomarem decisões em tempo real, ampliando a sua produtividade e diminuindo o risco. No Brasil, há grandes oportunidades para as empresas que atuam no segmento AG Tech.
O desempenho excepcional que o agronegócio brasileiro vem apresentando nas últimas décadas somente foi possível devido a adoção de novas tecnologias pelo setor. Isso coloca o Brasil em uma posição estratégica no âmbito mundial, uma vez que, segundo as projeções demográficas da ONU, a população mundial chegará a 8,6 bilhões até 2030, um aumento de 1 bilhão de pessoas em 13 anos.

¹ Cálculos elaborados pelo autor a partir de dados do IBGE - produção agrícola
municipal (lavouras temporárias).
² Dados fornecidos pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul.

*Chefe da Divisão de Inovação e Ações Especiais do SENAR-RS
voltar