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Nº 411 - ANO 31 - DEZEMBRO DE 2017
 
Realizada primeira abertura oficial da colheita de tabaco no RS
 
Pela primeira vez na história, autoridades e representantes da produção gaúcha abriram oficialmente a colheita do tabaco no Estado. O evento, realizado em 27 de outubro, na propriedade de Antônio Alcir Coutinho, de Venâncio Aires, reuniu cerca de 400 pessoas para divulgar a importância econômica e social da fumicultura e ressaltar aspectos positivos da cadeia, que envolve cerca de 84 mil famílias em 274 municípios gaúchos.
A tarde do evento teve chuva e sol, até que o governador do Estado, José Ivo Sartori, vestindo a roupa adequada ao procedimento e ao lado de outros representantes do meio rural e do poder público, desse o pontapé inicial para a etapa final do ciclo. A expectativa é de que os fumicultores gaúchos façam o mesmo em aproximadamente 360 mil hectares, área registrada no ano passado, com produtividades até melhores do que a anterior, por conta do desenvolvimento relativamente tranquilo da cultura até aqui. “Em torno de 4% da área já iniciou a colheita, e o desenvolvimento, por enquanto, é excelente. Tem chovido normalmente, então a umidade e o calor formam cenário favorável”, relata o presidente da Comissão do Fumo da Farsul, Mauro Flores.
O incidente mais preocupante aconteceu em 1º de outubro, quando em torno de 7,5 mil lavouras foram atingidas com granizo nos três estados do Sul. Mesmo assim, pelo fato de a maioria delas não estarem, naquele momento, em estágio avançado de desenvolvimento, o prejuízo não deve trazer grandes impactos no volume de produção, segundo o dirigente.
O secretário da Agricultura do Estado, Ernani Polo, justificou a primeira edição do evento como um “resgate histórico” da cultura, produzida há mais de um século no Rio Grande do Sul, e como forma de reconhecer os agricultores que também se esforçam pela diversificação, aliando a produção de alimentos ao cultivo do fumo. Sartori afirmou ainda que a cadeia produtiva “merece respeito”, pois envolve “gente que luta diariamente pelo sustento” e cria riqueza a municípios, Estado e País.
Outra autoridade presente foi o ministro do Trabalho e Previdência Social, Ronaldo Nogueira, que ouviu do setor que o mesmo não envolve trabalho infantil ou escravo, como injustamente parte da sociedade estaria atribuindo ao longo dos anos. Em resposta, o ministro falou que “o mais difícil de ultrapassar são barreiras ideológicas”, que usam de informações “que não condizem com o que acontece”. “O setor é importante pois proporciona o emprego e uma casa para morar, que são essenciais para a dignidade humana e para cuidar da família”, disse ele.
Também discursaram o presidente da Afubra, Benício Werner - que reclamou da pressão exercida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre o governo federal para que este rompa relações com a cadeia produtiva, além de abordar a importância do dia para a valorização do fumicultor brasileiro -, e o presidente do Sinditabaco, Iro Schünke, que atribuiu também ao trabalho do produtor de tabaco gaúcho o papel de destaque que o Brasil mantém no cenário agrícola mundial.
A Farsul foi representada pelo seu diretor administrativo, Francisco Schardong, e entregou, junto a outras entidades, placa de agradecimento à iniciativa de realização da abertura da colheita ao governo estadual. Também participou da renovação de convênio do programa “Milho, Feijão e Pastagens após a colheita do tabaco”, capitaneado pelo Sinditabaco, que incentiva a diversificação e o melhor aproveitamento de recursos nas propriedades rurais dos três estados da região Sul. “O programa é importante sob o aspecto da diversificação de culturas para o aproveitamento na propriedade e também sobre o aspecto agronômico, uma vez que a safrinha de milho e feijão aproveita a fertilização feita para o fumo”, afirma Schardong. A organização da abertura da colheita ficou a cargo de Secretaria da Agricultura do Estado, Afubra, Sinditabaco e Prefeitura de Venâncio Aires.

Custo de produção
A comissão representativa dos produtores de tabaco - formada por Afubra e pelas federações da agricultura (Farsul, Faesc e Faep) e dos trabalhadores rurais (Fetag, Fetaesc e Fetaep) dos três estados da região Sul - apresentará os resultados do levantamento anual de custos de produção da cultura em 8 de novembro, quando está marcada a primeira reunião com a indústria fumageira nesta safra, na sede da Fetaesc. É esperado que as indústrias tragam levantamentos próprios já nessa reunião, de modo a iniciar as negociações de preços até meados de dezembro, de acordo com Flores.
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