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Nº 411 - ANO 31 - DEZEMBRO DE 2017
 
Mapa suspende importação de leite do Uruguai
 
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou, em 10 de outubro, a suspensão das licenças de importação de leite do Uruguai, por conta de suspeitas de triangulação da venda do produto ao Brasil no país vizinho por terceiros, como forma a obter vantagens do Mercosul. De acordo com o titular da pasta, Blairo Maggi, a decisão vale até que seja concluída a rastreabilidade do produto e só será revertida após a comprovação de que 100% do volume negociado são produzidos naquele país. Missão técnica do Mapa estava agendada para os primeiros dias de novembro.
De acordo com o presidente da Comissão do Leite da Farsul, Jorge Rodrigues, a decisão foi uma conquista para a Federação, que encaminhou, junto com Secretaria da Agricultura do Estado e Fetag-RS, pedido de abertura de investigação sobre o tema ao Departamento de Defesa Comercial do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), aceito dias depois, por conta de “evidentes indícios de irregularidades comerciais de lácteos”. O pedido teve como base levantamento do grupo que indica déficit de mais de 52 milhões de litros neste ano, contabilizando leite e derivados, entre a produção total uruguaia, consumo interno e exportações ao Brasil.
O próximo passo é buscar uma cota de importação ao Uruguai, caso o produtor não possa concorrer em igualdade com os países do Mercosul, considerando o fechamento econômico e a alta tributação brasileira. “Não queremos impedir a importação, mas uma regulação comercial, a exemplo do que houve com a Argentina (que pode exportar até 5 mil toneladas por mês ao Brasil)”, defende Rodrigues.
Maggi diz ser favorável à negociação dela e também cogita a retirada, pelo Itamaraty, do leite da pauta do bloco econômico sulamericano. “Trabalhamos nessa direção, já que a situação está se transformando em quase insuportável para o produtor brasileiro, em função dos custos locais que inviabilizam competir com eles”, disse recentemente. Outro pleito em aberto é a compra governamental de 50 mil toneladas de leite em pó e 400 milhões de litros de leite UHT, a fim de equilibrar a oferta no mercado. A medida ainda está em discussão, informou o ministro.
Apesar das notícias positivas, o preço do leite ainda apresenta projeção de queda no valor de referência em outubro, ficando R$ 0,8267, conforme anúncio mais recente do Conseleite-RS. Ele é 3,3% menor do que o consolidado em setembro (R$ 0,8549). Rodrigues explica que a projeção tem como base informações colhidas nos primeiros dez dias do mês - ou seja, antes da suspensão - e que a perspectiva é de que o valor consolidado em outubro e a projeção de novembro já demonstrem recuperação no mercado doméstico.
O cenário do leite ainda foi debatido, em evento da CNA, nos dias 16 e 17 de outubro, em Brasília. Chamado de “Workshop Leite Futuro: agenda positiva para o setor lácteo”, que teve participação do presidente da Comissão do Leite da Farsul.
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