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Nº 411 - ANO 31 - DEZEMBRO DE 2017
 
Mulheres do campo são gestoras, motivadas e confiantes
 
Gestoras, trabalhadoras, motivadas e valentes, as mulheres estão cada vez mais enfrentando o preconceito masculino e ocupando espaço nos diversos segmentos do agronegócio, além de transitar entre o campo e as cidades com a mesma facilidade com que harmonizam carreira e família. Essa é a conclusão da pesquisa “Todas as mulheres do agronegócio”, encomendada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e apresentada no 2º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, ocorrido nos dias 17 e 18 de outubro, em São Paulo (SP), que teve apoio do Sistema Farsul.
O estudo, de abrangência nacional, teve como objetivo traçar um retrato completo da presença feminina do setor. Para isso, foram entrevistadas 862 mulheres que trabalham em áreas situadas antes, dentro e depois da porteira, entre junho e julho deste ano. “A diversidade de gênero no mercado de trabalho é extremamente importante e mais eficiente. As mulheres têm posições e visões diferentes. Dessa forma, trazem inovação e ajudam no modelo de gestão”, afirma Luiz Cornacchioni, diretor executivo da Abag.
Dados do levantamento mostram que, em relação à posição ocupada, 59,1% das entrevistadas são proprietárias ou sócias dos negócios, enquanto 30,5% são funcionárias ou colaboradoras e 10,5% são diretoras, gerentes, administradoras ou coordenadoras. Metade das mulheres entrevistadas ainda exercem uma segunda atividade, demonstrando o quanto são empreendedoras, e 45,6% moram parcial ou integralmente no campo. Outro dado destacado é que 55,5% das entrevistadas sentem-se totalmente preparadas para desempenhar a atividade que exercem, contra apenas 3,6% que não se sentem prontas - e 45,2% contam que o trabalho é o que lhes dá mais satisfação.
Entre 19 atividades ligadas ao campo citadas na pesquisa, a maioria delas aponta 18 como adequadas a ambos os sexos (exceto carregar caminhões), sendo que o índice é superior a 80% em 16. Já as razões que levam essas mulheres a trabalharem no meio rural são, principalmente, gostar da vida no campo (36,2%) e porque já tinham integrantes da família atuando na área (34%).
Os desafios, no entanto, ainda persistem em questões de gênero. Apesar do avanço feminino nas últimas décadas, 44,2% das entrevistadas percebem preconceito sutil na atividade, enquanto 30% notam preconceito evidente. Mas essa percepção não parece afetar a liderança, considerando que 61% diz não enfrentar esse tipo de problema por ser mulher.

Congresso
O 2º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio reuniu centenas de pessoas na capital paulista, oferecendo palestras e workshops sobre a atuação feminina e diversos outros temas relativos ao setor rural. “Foi um evento com dinâmica boa, que trouxe ideias novas, inspiração, incentivo ao trabalho, inovação e técnica”, relata a presidente da Comissão das Produtoras Rurais da Farsul, Zênia Aranha. A Farsul recebeu homenagem pelos 90 anos nas palavras do escritor e conferencista José Luiz Tejon, ao final do evento.
Produtora e proprietária rural em Bagé, numa estância em que cria as raças de gado hereford e braford, cavalos da raça quarto de milha e desenvolve agricultura de pastagens de inverno e verão, além de liderança sindical, Zênia foi uma das palestrantes gaúchas do evento, assim como a médica veterinária Andrea Verissimo e da produtora rural, bióloga e presidente da Associação Brasileira de Criadores de Devon, Betty Cirne-Lima. Ela percebe, na prática, como o tratamento para com a mulher mudou. “Elas estão sendo bem aceitas dentro da atividade, e isso mudou muito na última década”, avalia.
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