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Nº 411 - ANO 31 - DEZEMBRO DE 2017
 
Dragagem do porto compromete escoamento da safra
 
A falta de manutenção do calado no porto de Rio Grande preocupa às vésperas de nova safra de grãos no Estado - que mais uma vez deve superar as 33 milhões de toneladas, de acordo com primeiro levantamento Conab. A última dragagem (retirada de sedimentos que se acumulam no fundo do canal), que deveria ser anual, aconteceu em 2014, o que faz com que o complexo opere hoje com 12,8 metros (42 pés) de profundidade, em vez de 14 metros (46 pés).
O problema é que, para operar com segurança, os navios tendem a carregar menos do que a capacidade embarcável, encarecendo o custo de frete e reduzindo a rentabilidade do produtor gaúcho. A estimativa é de que, para cada pé de calado, seja possível acrescentar de 2,5 mil a 3 mil toneladas de carga. Também pode haver perdas pela demora e consequente atraso da entrega no exterior, e alguns navios só estariam conseguindo sair plenamente carregados, atualmente, quando a maré está acima do nível normal. “Alguma atitude deve ser tomada, sob pena de termos graves problemas de escoamento da safra que se aproxima”, afirma o diretor da Farsul Fábio Avancini Rodrigues.
O dirigente informa que a entidade faz gestões políticas junto ao governo do Estado e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em busca de soluções rápidas. “A perspectiva é de que se tenha resolução do problema o mais breve possível, porque a safra não espera, ela vai ser colhida.”
Responsável por 90% das exportações gaúchas, o porto de Rio Grande poderia inclusive ser declarado como inseguro em nível internacional, de acordo com especialistas. Outra possibilidade é que seja rebaixado para 11 pés, o que faria com que o porto ficasse limitado a navios de porte menores ou embarcações não plenamente carregadas. Neste ano, já houve casos de embarcações encalhadas no acesso, por conta da perda de velocidade ao encostar nos bancos de areia.
Em 2015, o governo assinou contrato de R$ 368 milhões para retirada de até 18 milhões de metros cúbicos de sedimentos, mas o Ibama pediu mais estudos para autorizar o procedimento, que não foi realizado até hoje. O órgão ambiental cobra, entre outros pontos, alternativas de locais para a área de descarte dos sedimentos que serão retirados do fundo do mar e da Lagoa dos Patos. A ideia agora é assinar um termo de compromisso ambiental com o Ibama, estabelecendo um cronograma de cumprimento gradual das ações, em troca da emissão imediata da licença ambiental para a execução da dragagem. “Vamos fazer os maiores esforços para cumprir os compromissos do termo e, consequentemente, resolver de forma equilibrada, respeitando a legislação ambiental, a dragagem tão necessária para o porto”, afirmou o diretor-superintendente do porto de Rio Grande, Janir Branco, em painel do RBS Notícias, que debateu o assunto no município.
Caso não obtenha sucesso, o governo estadual avalia realizar uma dragagem emergencial, com custo estimado em R$ 120 milhões. Estaria em andamento licitação para fazer uma batimetria (verificação de fundo) e medir mais precisamente o volume a ser retirado.
Até setembro, foram embarcadas 31 milhões de toneladas de carga no porto, volume 1,76% superior ao mesmo período do ano passado - com contribuição da safra recorde de grãos no Estado. A movimentação financeira total nos nove primeiros meses do ano foi de R$ 25,5 milhões.
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