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Nº 420 - ANO 32 - SETEMBRO DE 2018
 
O começo de tudo
 
Natural de Palmeira das Missões, no noroeste gaúcho, Carlos Sperotto viveu na fazenda da família até os oito anos, quando se mudou para a capital gaúcha. Terminou então o ensino médio e cursou medicina veterinária na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A formatura veio em 1962, mesmo ano em que se casou com Mariana, com quem teve quatro filhos. Depois, voltou ao interior, dessa vez Ijuí, onde o pai morava, para ser professor na área de produção animal no Instituto de Educação Rural Assis Brasil e abrir uma clínica veterinária.
Francisco Sperotto, pai de Carlos, era filho de imigrantes italianos e prosperou criando mulas para vender em São Paulo. Tudo que ganhava investia em terras: chegou a ter mais de 20 mil hectares, que posteriormente dividiu entre os filhos. Em 1964, ele repassou os 1,2 mil hectares da Fazenda Tapera, de Santo Augusto, ao filho que havia recém retornado a Ijuí. O futuro presidente da Farsul dava, aos 26 anos, os primeiros passos na administração rural.
Tão diversa quanto a produção gaúcha foi a realidade da propriedade, que já trabalhou com pecuária de corte bovina e ovina, pecuária de leite e produção de grãos, como milho, trigo e soja, entre outras culturas. A Tapera foi, aliás, um dos primeiros campos de Santo Augusto usados no plantio, ainda no início da década de 1960.
Na fazenda, é possível perceber a dedicação com que o dirigente da Farsul tratava a tecnologia, que tinha sua adoção no campo como uma de suas maiores bandeiras políticas. Além da rotatividade de culturas e plantio direto, aos poucos ela foi tomada por uma preocupação permanente em utilizar as melhores sementes, controlar o pH da terra e aplicar os insumos adequados de forma controlada. O local também conta hoje com vários pivôs de irrigação, para aumentar a produtividade, além de diversas máquinas agrícolas de ponta. E o dirigente não abria mão de dar uma volta na propriedade, para ver com os próprios olhos como a produção se desenvolvia. Sperotto nunca deixou de ser um produtor rural, ainda que a gestão da propriedade já se encontre, há alguns anos, nas mãos dos filhos.
A atuação política, por outro lado, teve início nos sindicatos rurais de Santo Augusto e de Ijuí, como diretor, a partir da década de 1960. Foi também conselheiro da Cotrijuí, cooperativa agropecuária e industrial da região, antes de chegar à presidência da Associação Brasileira dos Criadores de Texel (Brastexel), raça esta na qual foi um dos primeiros a apostar no país. A visão de futuro tão conhecida hoje por seus pares, lá atrás, já estava presente.
Na década de 1980, Sperotto investiu firme em ovinos de carne. Ficou conhecido por ter aberto a primeira boutique de carne de cordeiro em Porto Alegre, por exemplo. A preocupação em desenvolver esse tipo de negócio era tanta que, junto com outros criadores, fundou a Federação Brasileira de Criadores de Ovinos de Carne (Febrocarne), em 1987, tornando-se presidente da entidade. O posto também lhe deu visibilidade para ser convidado, em 1988, a assumir uma das cadeiras no Conselho Fiscal da Farsul, na gestão de Ary Marimon.
Na federação da agricultura mais antiga do país, Carlos Sperotto ainda foi diretor financeiro de 1991 a 1997, em chapas lideradas por Hugo Paz, até chegar à presidência da entidade. A eleição foi acirrada: ele recebeu 64 votos entre 119 sindicatos que compareceram ao pleito. Desde então, virou sinônimo de trabalho e representatividade, alcançando sete mandatos consecutivos à frente da Federação. Várias eleições foram em chapa única, o que indica unanimidade do nome no sistema sindical.
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