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Nº 412 - ANO 32 - JANEIRO DE 2018
 
Tensão, emoção e diálogo no quase boicote à Expointer de 1999
 
Capítulo à parte nessa história foram os polêmicos índices de lotação fundiária do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e as vistorias do órgão, que por inúmeras vezes tiraram o sono dos agricultores brasileiros, ainda no final da década de 1990. Lideranças costuraram para que os índices fossem revistos no Estado, que apresenta características pecuárias diferentes, e para que fossem evitadas as vistorias.
Quando um acordo entre MST, Incra e Secretaria da Agricultura do Estado foi firmado para retomá-las em 1999, no entanto, os pecuaristas gaúchos consideraram a gota d’água. Farsul, representantes de 36 associações de raças e dirigentes de sindicatos decidiram, em 23 de agosto, que os criadores não deveriam levar animais à Esteio, comprometendo a realização da Expointer. “Não nos resta outra saída a não ser manter o boicote”, anunciou Carlos Sperotto no plenário da entidade. Ali mesmo, não conteve a emoção, enquanto a platéia em pé o aplaudia.
Inconformado, Sperotto deu início a intensos seis dias de negociações com os governos estadual e federal. Conseguiu aquilo que ninguém esperava: a realização da feira com a presença dos animais inscritos, após as autoridades assinarem portaria que suspendia provisoriamente as vistorias até que fossem criados índices compatíveis com a atividade no Estado. Anos depois, as vistorias voltariam, e também retornaria Sperotto a Brasília, articulando com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em defesa do setor agropecuário gaúcho.
O acordo para realização da Expointer também selou, pelo menos por alguns poucos dias, a paz entre o setor e o governo do Estado, comandado na época por Olívio Dutra. A relação entre o campo e o governo petista, aliás, rende um livro. Os desentendimentos começaram no dia da posse, quando foi estendida uma bandeira de Cuba na sacada do Palácio Piratini, causando revolta no meio rural gaúcho.
Outras rixas tiveram origem na conivência do governo estadual com invasões de terra, na extinção de convênios entre Secretaria de Segurança Pública e sindicatos rurais para o combate ao abigeato, o que teria alavancado a criminalidade, na atuação da Emater, que teria favorecido grupos sem terra, entre outros fatores. A Farsul apoiou Germano Rigotto na eleição de 2002, que acabou vencendo o pleito no segundo turno.
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