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Nº 414 - ANO 32 - MARÇO DE 2018
 
Em ano difícil, dirigente comandou festa dos 90 anos da Farsul
 
No final de 2016, Sperotto teve pela frente um adversário implacável: um câncer no esôfago, diagnosticado poucos dias após uma celebrada Expointer, em Esteio. Inabalável, conseguiu conciliar, em muitos momentos, as atividades na presidência da Farsul e o difícil tratamento. Esteve presente, por exemplo, na eleição da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) que decidiu, de forma unânime, pela chapa liderada por João Martins. Não foi surpresa, portanto, ver o vice-presidente da CNA Mário Borba despedindo-se do amigo dizendo ser a sua marca o comprometimento.
Também não abriu mão de comandar a celebração dos 90 anos da Farsul, completados em 24 de maio, na inesquecível noite da véspera. Proferiu emocionante discurso, em palco montado na Praça Professor Saint Pastous, em frente à sede que abriga a maioria das atividades desde 1982. “Estamos pensando no passado, no presente e no futuro”, disse. Depois, não conteve as lágrimas ao descobrir que, por iniciativa dos diretores, a estrutura ampliada da sede fora batizada com o nome dele.
Mesmo quando a saúde fraquejou, o dirigente não abandonou por completo os afazeres. Vez e outra diretores o visitavam em casa ou no hospital para comentar assuntos pertinentes ao setor. Lúcido, confiava tarefas, tomando o cuidado de incentivar também decisões próprias. Foi assim nos dois meses mais recentes, segundo o vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, que agora assume a liderança da entidade.
Poucos dias antes de seu falecimento, Sperotto acompanhava a transmissão ao vivo da coletiva da Federação em rede de 78 rádios - em que tantas vezes coube a ele projetar o novo ano para o agronegócio. Fez questão de avisar, por telefone, que estava ouvindo e ainda fez colocações. Queria participar das discussões sobre os altos custos de produção brasileiros, a possível melhor remuneração do produtor na próxima safra, as condições de crédito agrícola, os rumos do sistema sindical, a retirada da vacinação contra a febre aftosa e a consolidação do Mercosul como bloco econômico. Não estava ausente. Como sempre, pensava no futuro do campo.
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