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Nº 414 - ANO 32 - MARÇO DE 2018
 
Editorial
 
À frente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul desde 1997 e das principais lutas do setor nos anos mais recentes, Carlos Rivaci Sperotto descansou em 23 de dezembro. Não sem antes travar uma última intensa batalha contra o câncer, adversário silencioso e implacável que o acometeu no final do ano passado.
Sperotto foi um líder que marcou época e cuja trajetória serviu e ainda servirá de inspiração para muitas gerações. Impossível medir o legado que deixa para a agricultura brasileira, considerando que esteve na origem de alguns dos mais importantes movimentos para o desenvolvimento do setor, como a questão do endividamento agrícola, a liberação do plantio de transgênicos, o direito de propriedade e a construção do novo Código Florestal. Sem falar na atuação pontual, tão importante quanto, porque é ela que mostra diariamente que o agronegócio tem voz e não abre mão de suas convicções.
Teve atuação firme e apaixonada, que fez com que até adversários políticos reconhecessem a sua importância para a atividade, agora em morte e também em vida. Era, sobretudo, respeitado por quem dele discordava. Aqueles identificados com ele, por outro lado, o seguiam sem vacilar, confiantes no julgamento preciso e visionário que caracteriza a trajetória do dirigente.
Sperotto fazia, sim, questão de estar presente em todas as decisões que envolveram a atividade nos últimos 20 anos. Mas ele soube fazer isso tendo como marca o diálogo incessante e o respeito máximo. E talvez um de seus maiores méritos esteja justamente em ter formado e reconhecido novas e qualificadas lideranças no setor, aqueles que certamente serão responsáveis por levar avante a Federação nos próximos anos. Incentivou, por exemplo, comissões de jovens e de mulheres, muito bem estabelecidas e atuantes hoje. Deu visibilidade e autonomia no trabalho, muito antes de ter de se afastar da linha de frente.
Sperotto viveu pela Farsul, tamanha dedicação e carinho que conferiu à defesa dos interesses do produtor rural gaúcho, razão de ser da entidade. Nada mais justo, portanto, que a despedida fosse no auditório da Federação, em Porto Alegre, que recebeu centenas de pessoas em emocionante cerimônia. Nela há, aliás, uma galeria de quadros dos ex-presidentes da entidade que guarda uma mensagem importante para essas horas. A de que os líderes passam, mas a Federação permanece. Que ela cresce pelo esforço de cada um.
Carlos Sperotto junta-se a outros grandes líderes que trouxeram a Federação da Agricultura do Estado até o patamar em que se encontra hoje. Tudo que fez não está guardado, mas ativo na lembrança de todos aqueles que vivem a agropecuária no Rio Grande do Sul e no Brasil. E o setor primeiro da economia lamentará a perda de um grande líder tocando em frente.
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