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Nº 420 - ANO 32 - SETEMBRO DE 2018
 
Ferrovias: setor quer garantias de investimentos para aceitar concessão da Rumo por mais 30 anos
 
Concessionária da malha ferroviária gaúcha, a Rumo Logística busca apoio do setor empresarial do Estado para antecipar a renovação de contrato junto à Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), que vence em 2027, para mais 30 anos. O pedido será encaminhado em 2018. Vice-presidente da companhia, Darlan de David acena com o interesse em fazer “investimentos maciços”, que somariam mais de R$ 1,5 bilhão, desde que haja renovação da concessão e contratos de longo prazo com usuários de ferrovias. “O investimento precisa retornar”, justifica.
Esse é o motivo das reuniões entre executivos da empresa, lideranças gaúchas e representantes do poder público, que tiveram início em novembro. A mais recente aconteceu em 14 de dezembro, na sede da Farsul, em Porto Alegre. O setor só apoiará o pedido, porém, quando a empresa detalhar melhor o plano e caso este beneficie o maior número de consumidores possível. “Entendemos que, para haver investimentos pesados na ferrovia, há necessidade de ampliação do contrato, mas não apoiaremos essa renovação enquanto não soubermos, de forma muito clara, quais serão os investimentos da companhia. Precisamos saber ao certo e ter alguma garantia do quanto vão investir, onde e quando”, defende o diretor da Federação e representante na Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Luiz Carlos Nemitz.
Segundo ele, a preocupação da Farsul é quanto ao custo de produção ao agricultor gaúcho, em que a logística pesa cada vez mais. “Colocamos na reunião a demanda reprimida de transporte ferroviário, o potencial e a necessidade de se fazer volume maior”, afirma. A Rumo informa que foram transportadas 3 milhões de toneladas de grãos neste ano, volume 34% superior ao ano passado, de 2,4 milhões de toneladas - ainda que reconhecidamente baixos, em termos absolutos. O Rio Grande do Sul produziu mais de 36,6 milhões de toneladas de grãos na última safra.
A empresa diz que o recurso na ordem de R$ 1,5 bilhão seria usado na compra de locomotivas e vagões, substituição total de trilhos e outras adequações. Os recursos teriam como origem a Cosan, um dos maiores grupos privados do Brasil, que controla a Rumo, além de investidores estrangeiros, sobretudo europeus e norte-americanos. Projeta operar, no longo prazo, com 200 locomotivas e aproximadamente 5 mil vagões - atualmente, são 65 máquinas e 1,3 mil vagões. O potencial de transporte seria de 15 milhões de toneladas de grãos ao ano, o que significa uma participação de 45% no agronegócio. Números apresentados na reunião indicam que o modal responde hoje por 3% do total de cargas no Estado.
David reconheceu o sucateamento do modal, que atribui ao histórico da América Latina Logística (ALL). “Ela operou, desde 2006, sem qualquer investimento”, disse. A Rumo assumiu a operação há dois anos e meio, após fusão com a ALL. Por outro lado, defende que a Rumo vem mudando essa realidade, com cerca de R$ 50 milhões em investimentos em 2016 e outros R$ 100 milhões neste ano, reabilitando locomotivas, vagões e linhas, principalmente no corredor entre os municípios de Cruz Alta e Rio Grande. Para 2018, são projetadas 3,5 milhões de toneladas de grãos, com aplicação de até R$ 120 milhões.
De acordo com Nemitz, novas reuniões estão previstas para este ano. A discussão foi dividida em três grupos, que representam as maiores regiões de transporte de cargas do Estado: norte, que responde pela maior produção de soja e será coordenado por Fecoagro e Acergs; região do polo metal-mecânico, coordenada pela Fiergs; e Fronteira-Oeste e Sul, a nova fronteira agrícola gaúcha, em que há potencial para se estabelecer novos terminais de embarque e deve discutir o frete do arroz para São Paulo, coordenado por Farsul e Agência de Desenvolvimento de Uruguaiana.
Presente no evento, o vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, ressaltou que é no agronegócio que o Brasil é competitivo, mas que o setor vem transferido riquezas em cima de uma logística deficitária. “Quem está pagando essa conta somos nós”, disse. O diretor da Federação Fábio Avancini Rodrigues ainda lembrou que o transporte ferroviário é uma concessão pública e por isso deve atender de modo satisfatória a população gaúcha. “É mais do que a busca do lucro”. Também apontou a necessidade de se trabalhar os modais de modo integrado, sendo que hoje as hidrovias são subutilizadas e as rodovias estão saturadas. Também participaram do evento representantes do governo do Estado, parlamentares e entidades empresariais gaúchas.
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