Jornal em Formato HTML
 
Nº 420 - ANO 32 - SETEMBRO DE 2018
 
Estado começa a colher 5,2 milhões de toneladas de milho
 
As primeiras espigas de milho da safra gaúcha foram colhidas de forma simbólica na Fazenda Agropecuária Ouro Verde, da família Beutinger, no interior do município de Giruá, noroeste do Estado, em 26 de janeiro. Autoridades, lideranças e produtores rurais da região participaram do ato solene, que dá início à colheita de 728,4 mil hectares no Estado - a menor área com a cultura desde, ao menos, a década de 1970. A baixa remuneração pelo produto tem afastado o investimento no campo, segundo o coordenador das comissões de grãos da Farsul, Jorge Rodrigues. “A safra deste ano deve apresentar, novamente, um complicador de comercialização que está por trás de todo o desestímulo do produtor com a cultura. Enquanto ele eleva a produtividade de um lado, sofre de outro com a menor renda”, avalia o dirigente.
Estudo de safra mais recente da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) mostra que a área semeada no Estado foi 9,5% menor que no ciclo anterior. Principalmente por conta disso, a expectativa é de que sejam colhidas 5,2 milhões de toneladas do grão, queda de 13% em comparação com as 6 milhões de toneladas alcançadas em 2016/2017. A produtividade média deve ser de 7,2 mil quilos por hectare, também menor (4%) - ainda que lavouras irrigadas e/ou com utilização de tecnologias mais avançadas ultrapassem 12 mil quilos por hectares, destaca boletim informativo da Emater/RS.
Para a Farsul, é uma safra que fica dentro do esperado, com boa produtividade, e os olhares se voltam agora para as questões de mercado. No final de janeiro, o saco de 60 quilos do milho era cotado a R$ 27, enquanto que, no mesmo período do ano passado, estava a R$ 31. Rodrigues critica o cenário de instabilidade e a “falta de maturidade” na cadeia produtiva, que atribuiu à ausência de margens de garantia pela indústria em relação a valores e momentos de compra em contratos antecipados. “A venda futura, hoje, não é expressiva. O produtor se dispõe a vender, mas a indústria não se apresenta para comprar”, afirma o dirigente.
O milho produzido no Estado é o principal insumo da produção animal, abastecendo as granjas de aves e suínos. Somado ao consumo humano, a demanda supera significativamente o volume de produção, mas os preços volta e meia estão em baixa. “É porque a indústria leva da mão à boca: compra o produto conforme precisa, não assume risco de estocagem, enquanto o produtor precisa arcar com custos extras, como armazenamento, ou se contentar com baixas cotações”.
Além de Rodrigues, a abertura da colheita teve a presença do governador José Ivo Sartori e do ex-ministro da Agricultura e atual presidente da Abramilho, Alysson Paolinelli, entre outras autoridades. Sartori ressaltou o impacto da safra de grãos para a economia do Estado e o esforço do produtor rural gaúcho, enquanto Paolinelli abordou os desafios da cultura e o potencial de venda do produto para o exterior, que entende ser alto.
voltar