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Nº 418 - ANO 32 - JULHO DE 2018
 
Momento do setor orizícola será debatido na abertura da colheita
 
A grave situação financeira que assola a lavoura de arroz no Rio Grande do Sul deve motivar acalorados debates na 28ª Abertura Oficial da Colheita, que acontece entre os dias 21 e 23 de fevereiro, na Estação Experimental do Arroz do Irga, em Cachoeirinha. Apesar de dar cada vez mais espaço a questões técnicas, a programação, lançada pela Federarroz e entidades apoiadoras em 29 de janeiro, conta com uma série de eventos que prometem tocar em temas como baixa remuneração no campo, endividamento, altos custos de produção, burocracia excessiva, exclusão significativa dos arrozeiros do programa oficial de crédito, entre outros.
A expectativa é de que sejam colhidas pouco mais de 8,2 milhões de toneladas nesta safra no Estado, cerca de 5,7% menos do que no ciclo anterior. A queda é atribuída a problemas climáticos - chuvas em excesso impediram o plantio de grande parte da lavoura no período ideal, e ainda houve estiagens em momento inoportuno - e a uma retração, ainda que pequena, na área semeada com o cereal.
A indignação, porém, não está exatamente em fatores dentro da porteira, mas no que acontece fora dela. “Estamos em plena entressafra, e os preços estão em torno de R$ 36 (Cepea), o saco. Sequer remuneram o custo variável, que chega a R$ 38, a depender da região”, afirma o presidente da Federarroz, Henrique Dornelles. Mais longe ainda as cotações estão do custo total medido pela Conab, que está entre R$ 43 e R$ 47 por saco de 50 quilos, segundo o dirigente. Dornelles ainda critica o “aspecto especulativo” do período de baixa, argumentando que não houve qualquer desequilíbrio na relação de oferta e demanda nos últimos dias e mesmo assim os valores enfraqueceram. “Isso tudo agrava a economia de milhares de famílias, principalmente na metade sul do Estado, e pode levar a uma diminuição bastante significativa da lavoura do arroz. O produtor não está enxergando um horizonte de remuneração melhor dos seus ativos”, complementa. A estimativa é que a cultura empregue hoje cerca de 2% da População Economicamente Ativa no Rio Grande do Sul, absorvendo 20% dos trabalhadores registrados na agricultura.
O presidente da Comissão do Arroz da Farsul, Francisco Schardong, disse que o “retrato” de mais de 1 milhão de hectares de arroz plantados no Estado “fica mais amarelado a cada ano”, em referência à dificuldade do arrozeiro gaúcho em se manter na atividade. “Esperávamos que os governos estivessem mais conscientes e sensíveis do que representa essa foto”, criticou Schardong. Afirmou ainda que o produtor “é um herói” por continuar plantando no cenário atual - a remuneração foi, em média, R$ 3,50 menor que o custo de produção por saco na safra passada, e o produtor ainda colhe uma safra “e paga duas” em função dos alongamentos e não consegue mais financiar a safra em fontes oficiais de crédito (78% da área é custeada fora do programa federal, segundo dados do Banco Central). “A união das entidades é fundamental para transformar a festa não num muro de lamentações, mas de projetos”, finalizou.
Vice-presidente da Fetag-RS, Nestor Bonfanti declarou que o evento será um momento de refletir a importância da cadeia arrozeira para a economia gaúcha e uma tentativa de manter o produtor otimista. “Se ele desistir, dificilmente volta”, disse Bonfanti. Já o diretor técnico do Irga, Maurício Fischer, disse confiar na unidade do setor para encaminhar uma solução que garanta a sustentabilidade da lavoura e destacou a apresentação da nova cultivar Irga 431 CL que ocorrerá durante a 28ª edição do evento. O material é de ciclo médio, apresenta excelente qualidade de grãos e resiste às principais doenças, como a brusone, o que favorece uma menor aplicação de defensivos agrícolas. “A semente será entregue em quantidade razoável na próxima safra, para não sofrer aviltamento de preço, mas esperamos que ocupe uma grande área no futuro, principalmente em locais que precisam avançar em genética”, relata Fischer. A vitrine tecnológica da autarquia ainda dará enfoque a temas como Projeto 10+, soja na várzea e integração lavoura-pecuária.

Programação
Logo no primeiro dia haverá reunião da Câmara Setorial Nacional da Cadeia Produtiva do Arroz - ocorre às 10h, no auditório principal. Depois, já na tarde de quinta-feira (22), representantes do setor participam de painel conjuntura da safra 2017/2018 (15h20min) e de Fórum Mercadológico (14h). O economista-chefe do Sistema Farsul aborda custos de produção e perspectivas futuras no mesmo dia, às 17h25min. A solenidade de abertura está marcada para o último dia, às 14h, e antecede uma reunião pública, que deve ganhar forte mobilização dos arrozeiros.
O evento ainda conta com 28 vitrines tecnológicas, abordando arroz, soja e milho. Visitas guiadas acontecem ao longo de todas as manhãs, com grupos de até 30 pessoas, formados na hora, que ficam em torno de cinco minutos em cada estação. O Senar-RS é uma das entidades participantes, tendo como ação principal um painel acerca de licenciamento ambiental.
Fórum, palestras e painéis técnicos, oficinas, dinâmicas de equipamentos e máquinas agrícolas, noite de homenagens e feira de produtos e serviços completam a programação, disponível na íntegra no site do evento.
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