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Nº 418 - ANO 32 - JULHO DE 2018
 
Comissão do tabaco acerta reajuste de 2,2% com Souza Cruz
 
Após quase dois meses de tentativas frustradas, a comissão interestadual que representa os produtores de tabaco assinou o primeiro protocolo de reajuste no preço e outras questões relativas à comercialização. Foi com a empresa Souza Cruz, garantindo aumento de 2,2% aos fumicultores, compra de toda a produção contratada e pagamento até o quarto dia útil subsequente ao ato. Vale para os três estados da Região Sul.
Outro avanço destacado no protocolo é que, a partir da próxima safra, o custo de produção será apurado de forma conjunta entre o grupo e a mesma indústria fumageira. De acordo com o presidente da Comissão do Fumo da Farsul, Mauro Flores, o acerto é um pedido antigo do setor, pois, dessa forma, os atritos nas negociações diminuem, agilizando as mesmas. “Muitos anos atrás, fazíamos em conjunto, até que surgiu a negociação individual e isso ficou no passado. Agora, cada um apresenta um número, que nem sempre bate com os demais”, conta ele. “Queremos retomar com todas. Um dia saímos com a Souza Cruz, depois com outra, e assim por diante. É uma ideia que partiu da comissão e será muito bem-vinda.”
O primeiro percentual pedido pelo setor produtivo foi de 4,7% sobre a tabela da safra passada. Apesar de mais baixo, o valor acordado com a Souza Cruz cobre a variação do custo de produção com alguma folga, ressalta Flores. Além disso, o esforço da comissão em firmar contratos vai além do preço, já que as demais questões definidas, como o prazo de pagamento e a garantia de compra, trazem mais segurança ao produtor rural.
Os acertos, porém, não se estendem a outras empresas. Alliance One, China Brasil Tabacos (CBT), Japan Tobacco International (JTI) e Premium tiveram encontros individuais no mesmo dia, 24 de janeiro, mas não apresentaram ofertas satisfatórias. Ou queriam comprar pela mesma tabela do ano passado, ou colocaram na mesa percentuais abaixo de 2,2%. Nas duas rodadas de dezembro, ainda foram recebidos representantes das indústrias Philip Morris, Tabacos Marasca, CTA, Universal Leaf e UTC, igualmente sem sucesso.
Diante disso, a recomendação ao produtor é que acompanhe e compare regularmente o valor pago pelo tabaco nas indústrias. Como comparativo, Flores lembra que a classe de referência para o fumo, a TO2, será comprada a R$ 9,56 o quilo (R$ 143,40 a arroba) pela Souza Cruz em 2017/2018, conforme a tabela atualizada.
A comissão interestadual ainda afirmou, por meio de nota, que realizará o acompanhamento da comercialização da safra e, sempre que necessário, fará intervenções em favor dos produtores. O grupo é formado por membros da Afubra e das federações dos sindicatos rurais (Farsul, Faesc e Faep) e dos trabalhadores rurais (Fetag, Fetaesc e Fetaep) dos três estados da Região Sul.
A compra pela indústria teve início no final de janeiro, na região baixa do Estado. Na data da reunião, cerca de 2% da produção estava comercializada, enquanto algo em torno de 10% da área estava para ser colhida. A estimativa é de uma safra 12% menor que a anterior, ficando próxima a 590 mil toneladas, e com boa qualidade.
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