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Nº 421 - ANO 32 - OUTUBRO DE 2018
 
Preços no campo fecham o ano 11,5% mais baixos
 
O mais recente boletim dos índices de inflação ao produtor rural gaúcho, divulgado mensalmente pela assessoria econômica do Sistema Farsul, confirmou a máxima repetida à exaustão pela entidade em 2017: foi um ano de safra cheia, mas de bolso vazio. Ao final do período, os preços recebidos pelos produtores (IIPR) acumularam queda de 11,5%. Foi o pior resultado desde o início da série histórica, em 2010.
O resultado é atribuído ao fato de que os preços engataram dez meses consecutivos de queda entre julho de 2016 até abril do ano passado, quando chegaram a acumular revés de 18%, justamente no período de entrada da maior parte da safra. “Isso significa que grande parte da produção foi comercializada a preços bem menores, resultando em margens realmente muito apertadas no campo”, afirma o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz.
Entre as culturas, o pior cenário foi o do arroz, que acumulou queda de 24% na remuneração entre um ano e outro. Preços mais baratos foram registrados também no milho (22%), no leite (17%), no suíno (9%), na soja (7%), no frango (7%) e no boi gordo (4%). Apenas a cotação do trigo teve valorização, de 4%.
A situação seria ainda pior não fosse o custo médio de produção gaúcho (IICP) ter caído 3,9% em 2017, a primeira marca negativa na série histórica. Entre as lavouras analisadas, a maior queda de custo foi no trigo (5%), seguido por soja (3%), arroz (1%) e milho (0,5%). A principal razão apontada foi a taxa de câmbio, com valorização de 8% do real frente ao dólar. Os insumos de maiores quedas foram fertilizantes e agroquímicos, que são, em sua maioria, importados, corroborando a tese da assessoria econômica da entidade.
Outro fator a se considerar é a situação financeira no meio rural. “As empresas sentiram a dificuldade de vender aos produtores porque eles estavam realmente muito descapitalizados. Esse binômio de taxa de câmbio menor e um produtor com pouco recurso forçou o custo para baixo”, destaca da Luz. O economista lembra, porém, que a queda nos custos foi menor que a nos preços. A receita no campo registrou, portanto, impacto real de 7%.
O estudo do Sistema Farsul mostra novamente que não existe correlação direta entre o preço recebido pelo produtor rural e aquele pago na outra ponta pelo consumidor final, ao contrário do que geralmente pensa a sociedade. A queda acumulada no preço dos alimentos (IPCA Alimentos) foi de 1,87% no ano, enquanto os produtores amargaram preços quase 12% mais baixos. Da Luz explica que os produtos agrícolas, em sua maioria, são industrializados, vendidos ao varejo e só então chegam ao consumidor, com uma grande quantidade de variáveis nesse meio tempo. Fatores como combustíveis e energia elétrica, que registram altos reajustes no ano passado, por exemplo, compõem o preço final nas prateleiras dos supermercados.
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