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Nº 420 - ANO 32 - SETEMBRO DE 2018
 
Correção na planilha de custos melhora o preço do leite
 
Os novos parâmetros de cálculo do Conseleite farão com que o valor de referência do produto no Estado tenha uma recuperação de 8,5% em janeiro, caso a projeção de R$ 0,9079 o litro se confirme. A comparação é sobre o preço consolidado de dezembro, quando a nova planilha de custos ainda não estava em vigor (R$ 0,8314, o litro).
Os números foram apresentados na reunião mais recente do Conselho, em 23 de janeiro, e foram destacados pelo presidente da Comissão do Leite da Farsul, Jorge Rodrigues. “A projeção está de acordo com a atualização dos índices, que corrigiram uma defasagem de mais de 10% nos custos de produção nos tambos e na indústria”, afirma o dirigente. A mudança exigiu dois anos de pesquisa por parte da câmara técnica do grupo e não era feita desde 2005.
A elevação nas cotações só não foi maior porque o mercado permaneceu com o viés de queda no mês passado. Ao aplicar a correção no cálculo de dezembro, o valor de referência é de R$ 0,9234 para o litro do leite, cerca de 1,7% maior do que o projetado de janeiro. O número reflete o período de férias, que tradicionalmente apresenta menor consumo e pressiona as cotações para baixo, e a venda de leite ao governo dentro do Programa de Garantia de Preço Mínimo (PGPM), que gerou impacto no leite em pó.
Rodrigues confia, porém, em um cenário melhor já em fevereiro, com o movimento de volta às aulas. Também a longo prazo o professor da Universidade de Passo Fundo (UPF) Eduardo Finamore observa uma “tendência de recuperação gradual” do valor de referência da matéria-prima.
Produtores esperam ansiosos, considerando que o ano passado foi o pior para o setor lácteo gaúcho dos últimos 12 anos, de acordo com pesquisa realizada pela UPF, responsável por tabular e analisar os dados do Conseleite que são divulgados mensalmente. A pesquisa aponta queda acumulada de 7,64% no valor de referência ao término do período.
Além da correção positiva nos índices, as mudanças nos parâmetros de cálculos podem ser vistas também na tabela publicada mensalmente pelo Conselho. Ela traz agora como observações que os valores são “posto na propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural, e que está incluída a alíquota de 1,2% de contribuição previdenciária sobre a comercialização de produtos agrícolas (Funrural), mais 0,2% ao Senar e 0,1% ao Risco de Acidentes de Trabalho (RAT).
A reunião de janeiro do Conselho ainda foi marcada pela condução do secretário geral da Fetag-RS, Pedrinho Signori, à presidência do grupo no biênio 2018/2019. Terá o ex-ocupante do cargo, Alexandre Guerra, líder do Sindilat-RS, como vice-presidente no primeiro ano. Em 2019, as posições se invertem.
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