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Nº 418 - ANO 32 - JULHO DE 2018
 
Porto tem movimentação recorde
 
O porto de Rio Grande alcançou recorde de movimentação em 2017: 41,1 milhões de toneladas em cargas, aumento de 7,8% em relação ao ano anterior. O volume é explicado, em boa parte, pela enorme safra de grãos colhida no Estado, a maior de todos os tempos. A soja em grão, por exemplo, representou sozinha 12,6 milhões de toneladas embarcadas, crescimento de 31,6% em comparação com 2016.
Em meio à comemoração geral, porém, o setor do agronegócio gaúcho, que representa 64,8% do valor exportado pelo Estado, avalia que o resultado poderia ser ainda melhor e questiona a viabilidade da estrutura no futuro. É que essas milhões de toneladas foram movimentadas sobre um canal que não é dragado há quatro anos e cada vez mais preocupa e onera o setor produtivo. “Uma coisa é ter quantidade, outra bem diferente é ter eficiência logística. Os números são expressivos, mas imagina se o canal estivesse dragado, permitindo aos navios operarem com carga plena, resultando num prêmio interessante ao produtor. Hoje, ele espera muito até o navio carregar (em terminais públicos e privados) e ainda tem que rezar pela maré para ele sair”, afirma o diretor da Farsul Fábio Avancini Rodrigues.
O impasse sobre a retirada de sedimentos que se acumulam no fundo do canal continua, mesmo diante da urgência em executar a ação. Ainda em 2015, o governo assinou contrato de R$ 368,6 milhões para a dragagem de até 18 milhões de metros cúbicos, mas o Ibama pediu mais estudos para autorizar o procedimento. Agora, o governo do Estado pretende apresentar ao órgão ambiental federal um novo plano de dragagem por etapas até fevereiro, de modo a facilitar a emissão do licenciamento.
A prioridade será a retirada de volumes menores em pontos críticos, ao menos garantindo a operação nos 12,8 metros de profundidade atuais, e a definição de um novo local de descarte de sedimentos. Quem faz a análise é a Universidade Federal do Rio Grande (Furg), contratada recentemente. Resta saber se haverá agilidade no processo. “O que nos preocupa é que, se essas medidas tão urgentes não forem implementadas de pronto, mais uma vez teremos problemas no escoamento da safra gaúcha”, lembra Rodrigues.
Atualmente, o complexo opera em 42 pés (12,8 metros), quatro a menos que o normal, o que obriga os navios a carregarem menos do que a capacidade embarcável. Para cada pé de calado, é possível acrescentar de 2,5 mil a 3 mil toneladas de carga, segundo técnicos. Houve até registro de encalhamentos no ano passado e pressão internacional pelas adequações, de modo a evitar que o porto seja declarado inseguro ou rebaixado para 36 pés (11 metros).
Outro dado destacado pela Superintendência de Portos e Hidrovias na apresentação do balanço do ano, realizada em 17 de janeiro, foi o superávit de R$ 34 milhões no órgão, que arrecada por meio de taxas de acesso marítimo. Justamente aí que mora outra polêmica: a verba tem como destino o Caixa Único do Estado e não retorna em forma de manutenção ou melhorias no serviço. “A Farsul defende uma otimização dos recursos, de forma que aqueles auferidos no porto sejam investidos no porto”, observa o diretor. Para fins de comparação, o valor equivale a 9,2% do contrato firmado pela União em 2015.
O principal destino das exportações gaúchas no ano passado foi a China, que recebeu 13,1 milhões de toneladas de cargas. O recorde de 41,1 milhões de toneladas movimentadas no Porto de Rio Grande foi embarcado em 743,5 mil contêineres, 5% mais unidades que em 2016.
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