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Nº 420 - ANO 32 - SETEMBRO DE 2018
 
Mapa atende Farsul e fará leilões para escoar arroz ao exterior
 
Há meses em patamares desanimadores e não raro abaixo do valor mínimo, a cotação do arroz pode sofrer uma reviravolta nos próximos dias. A Farsul, com apoio da Federarroz, sensibilizou a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para que 1,2 milhão de toneladas do cereal sejam escoadas para fora do país, por meio de leilões de PEP e Pepro. O pedido foi entregue em mãos ao secretário Neri Geller pelos presidentes da Farsul, Gedeão Pereira, e da Federarroz, Henrique Dornelles, no dia 30 de janeiro, sendo atendido de imediato.
O objetivo dos leilões é reduzir a oferta interna e, consequentemente, a pressão sobre os preços, bastante deprimidos às vésperas da colheita. Em algumas regiões, o saco de 50 quilos de arroz era comercializado a pouco mais de R$ 33 no final de janeiro, auge da entressafra. Sem intervenções no mercado, a Farsul estima que os preços na safra podem ser praticados em níveis de 20% abaixo do preço mínimo, que a partir de fevereiro será de R$ 36,01 o saco do arroz nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Pereira explica que, em menos de 30 dias, iniciará o ingresso de cerca de 11,5 milhões de toneladas de arroz brasileiro no mercado interno, num momento em que os estoques são de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas e mais 1 milhão de toneladas do produto deve ser importado, principalmente do Paraguai. A demanda típica, por outro lado, é de 12 milhões de toneladas, e pode ser ainda menor em 2018, visto que o valor vem caindo nos últimos dois anos em função da crise econômica. “A ausência agora de mecanismos de política agrícola que possam proteger o produtor de arroz gaúcho seria o mesmo que estabelecer o caos na lavoura orizícola”, alertou Pereira após o encontro.
O Mapa anunciou a realização dos leilões em 31 de janeiro, confirmando a sinalização positiva dada às entidades no dia anterior. O edital será publicado pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) nos próximos dias e devem confirmar os pregões para 23 de fevereiro, data que marca o início oficial da colheita do cereal no Rio Grande do Sul. De acordo com a pasta, está previsto desde o final de dezembro recurso próximo a R$ 100 milhões para as operações, o que equivale ao escoamento de 1 milhão a 1,3 milhão de toneladas de arroz. A oferta deve ser por etapas, com o primeiro leilão envolvendo de 250 mil a 500 mil toneladas, e os próximos sendo feitos “de acordo com a demanda do mercado”.
Documento entregue a Geller ressalta que o ideal é que os pregões envolvam tanto o produto em casca quanto o beneficiado e sejam marcados para um único dia, bem antes ou no máximo simultaneamente ao início da nova colheita. Seria a melhor forma de “sinalizar para o mercado com clareza a disposição de fazer uma grande intervenção”. Além disso, a urgência também é necessária ao considerar que a primeira parcela do custeio da safra passada, prorrogada no ano passado junto às instituições financeiras, venceu em 30 de janeiro, causando ainda mais apreensão no campo.
Outra reivindicação da Farsul em Brasília foi a aquisição de 200 mil toneladas pelo governo federal (AGF), voltada a pequenos produtores. Geller disse que o assunto “ainda será discutido e analisado com a equipe econômica”, enquanto Pereira considera o pedido igualmente essencial. “Entendemos que eles (pequenos produtores) são os mais desguarnecidos pelas ações de mercado”. O formato ideal é que a compra garantisse um determinado número de sacos por agricultor.
Dornelles, da Federarroz, disse no lançamento da 28ª Abertura da Colheita do grão que o arrozeiro “pode sonhar com uma recuperação gradual dos preços” a partir da confirmação dos mecanismos de apoio, mas que também é preciso mais ações de fiscalização na fronteira e sobre os produtos finais que chegam ao consumidor. O presidente da Comissão do Arroz da Farsul, Francisco Schardong, afirmou que há grande expectativa no campo pela valorização do produto e justificou a pressão exercida em Brasília: “Medidas históricas só com bafo na nuca para resolver.”
Os leilões são mecanismos de incentivo à comercialização de produtos agrícolas operados pela Conab. Em ambos, o governo federal concede prêmios no momento que o negócio é fechado, cobrindo a diferença entre a cotação de mercado e o preço mínimo estipulado. A diferença está em quem recebe o apoio: arrematantes (PEP) ou produtores rurais e cooperativas (Pepro).
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