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Nº 417 - ANO 32 - JUNHO DE 2018
 
Produtores buscam excelência na pecuária
 
Há quatro anos, o pecuarista Airton Machado Vargas, com propriedades em Santiago e Capão do Cipó, ouviu do filho que era uma boa hora para transformar o sistema produtivo. Na época, a Agropecuária Monte Alegre investia em qualidade de touro, fazia um bom terneiro, mas quando chegava no desmame, o apartava e vendia. A sugestão foi de investir no ciclo completo, terminando os animais e apostando num maior retorno financeiro.
Mas havia uma dificuldade: onde colocar os terneiros no verão? O jeito foi reduzir um pouco a área de soja para uma nova pastagem na estação mais quente - uma decisão importante para quem tem o grão como principal fonte de renda. Vargas resolveu experimentar, primeiro com milheto, depois com sorgo e, nesta safra, com capim sudão.
A engorda é no inverno, de modo a comercializar os animais precocemente, com até 22 meses. E ele não se arrepende da escolha: “A lavoura traz mais rápido o lucro, mas também o prejuízo. A pecuária dá mais segurança”, avalia o produtor, que trabalha hoje com cerca de 2 mil cabeças de gado e 1,6 mil hectares de soja, área que 80% vira pastagem no meio do ano.
A Monte Alegre foi uma das quatro propriedades visitadas em dia de campo na 94ª etapa do Fórum Permanente do Agronegócio, promovido pelo Sistema Farsul no município, entre os dias 22 e 23 de fevereiro, com apoio do Sindicato Rural de Santiago, Unistalda e Capão do Cipó e do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O tema do evento foi “Para onde irão os novilhos?”, reunindo centenas de pessoas.
Sob a liderança do professor da UFRGS José Fernando Piva Lobato, os participantes do roteiro passaram ainda pela Fazenda Santa Marta, de Andréa Souza Bonotto; pela Agropecuária Jacarandá, de Douglas Uberti Rebelo; e pela Fazenda Harmonia, de Ana Lúcia Ferreira e outros. Todos os locais foram exemplos de produção tecnificada, voltada à qualidade e com boas perspectivas de comercialização, acrescentando informações relevantes a quem investe ou tem potencial para investir na atividade.
No dia seguinte, houve seminário no Grêmio dos Subtenentes e Sargentos da Guarnição Santiago, novamente com bom público. Entre os temas, estiveram precocidade em novilhos, forrageiras para recria e terminação, suplementação em sistemas intensivos de pecuária de corte, potencial de exportação de gado em pé e influência da ciência na demanda e na precificação do gado gordo. Eles foram apresentados por especialistas das universidades de Pelotas (UFPel) e Santa Maria (UFSM) e de Embrapa Pecuária Sul, Embrapa Clima Temperado e Brasil Beef, além do próprio Lobato.
O presidente do Sindicato Rural de Santiago, Unistalda e Capão do Cipó, José Luiz Dalosto, lembra que o evento é uma continuidade do trabalho iniciado no ano passado, quando a região, bastante focada na produção agrícola e também na pecuária, recebeu o circuito “De onde virão os terneiros?”. “São informações de qualidade importantes e necessárias para o produtor agregar valor na propriedade, aplicar novas tecnologias e conhecer novas ideias e tendências no desenvolvimento da pecuária”, destaca o dirigente.
Dalosto afirma que “há muito a avançar” em termos de escala na produção local e, apesar de a qualidade genética ser “muito boa”, eventos que abordem genética, pastagens e suplementação e que favoreçam o contato entre os criadores certamente contribuem para uma maior excelência na atividade. “Tudo isso sempre tem um efeito bastante significativo sobre o produtor”, afirma ele. Vargas pensa da mesma forma: “Ninguém é concorrente aqui, porque existe mercado para todo mundo. O produtor precisa ficar de olho no trabalho do vizinho”.
As etapas do Fórum Permanente do Agronegócio sempre são abertas ao público, com inscrições prévias e gratuitas no site da Casa Rural - Centro do Agronegócio ou pelo telefone (51) 3221-2765.
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